Um agente do Serviço de Imigração e Controle Alfandegário dos Estados Unidos (ICE) matou a tiros um cidadão colombiano que vivia legalmente no país. O incidente ocorreu na segunda-feira (13) em Biddeford, uma pequena cidade no sul do Maine, onde operações do ICE são pouco habituais. A vítima, cuja identidade não foi divulgada, era residente legal nos EUA. Este é o segundo caso fatal envolvendo agentes do ICE em menos de uma semana; o anterior ocorreu em Houston, Texas, quando um motorista mexicano foi morto durante uma abordagem.
Operações discretas durante a Copa do Mundo
Longe dos estádios e dos holofotes da Copa do Mundo de 2026, agentes do ICE intensificaram a caça a estrangeiros em diversas cidades norte-americanas. No fim de junho, quando a Copa ainda estava na fase de grupos, o ICE bateu um recorde de detenções de estrangeiros. Em um período de cinco dias, ao longo da última semana de junho, agentes detiveram 10 mil pessoas, de acordo com um levantamento da Associated Press e do jornal "The New York Times" com base em dados do Departamento de Segurança Interna. Proporcionalmente, o número é o maior desde que as batidas contra imigrantes do governo de Donald Trump começaram. Neste ano, a média de detenções era de 30 mil por mês.
Estratégia do governo Trump
A explosão de casos foi pouco notada, mesmo com os EUA sob a mirada do mundo por conta da Copa. Antes do campeonato, houve alertas de que as ações do ICE poderiam mirar torcedores na porta dos estádios, e o próprio governo disse que os agentes estariam presentes nas cidades sede. Mas os temores foram diminuindo à medida que o campeonato avançava. A intenção do governo Trump foi exatamente essa: ao longo da Copa, o ICE mudou a abordagem e trocou as operações em grandes cidades norte-americanas, especialmente as que sediaram jogos, por operações mais pontuais, pulverizadas e silenciosas para bater a meta de detenções estabelecida pelo presidente, sem que as batidas salpicassem em torcedores. A nova orientação foi confirmada à Associated Press por membros do governo Trump. O deputado republicano Michael McCaul, presidente da Comissão de Segurança Interna da Câmara dos Deputados dos EUA, também confirmou a mudança ao site Político: "O papel do ICE nos jogos não era deportar um monte de gente", disse McCaul.
Nova gestão no Departamento de Segurança Interna
A mudança recente de gestão do Departamento de Segurança Interna dos EUA, pasta responsável pelo ICE, também pode explicar as operações longe dos holofotes. Após a demissão da ex-secretária Kristi Noem, seu sucessor, Markwayne Mullin, sugeriu que adotaria uma postura mais discreta nas operações e que pretendia evitar que o departamento ganhasse as manchetes. Mullin negou que tenha havido uma ordem explícita para que seus agentes fugissem dos holofotes durante a Copa do Mundo, mas confirmou que a instrução de Washington foi para que as operações ocorressem longe de estádios, onde o foco deveria ser "manter os jogos seguros". "O plano sempre foi manter os jogos seguros e garantir a segurança de todos os estádios, inclusive nas cidades-santuário", declarou o secretário.
Reações e consequências
Mesmo com os esforços por discrição, as operações do ICE voltaram aos holofotes por conta das duas mortes a tiros causadas pelos agentes. Depois dos episódios, agentes do ICE em todo o país foram orientados a suspender as abordagens a pessoas dentro de veículos, de acordo com fontes ouvidas pela Reuters e pela CNN Internacional. A deputada norte-americana Sydney Kamlager-Dove, democrata que fez campanha para que o governo Trump promovesse uma "diplomacia esportiva" durante a Copa, reagiu às mortes em um post nas redes sociais: "O ICE acabou de assassinar um imigrante menos de uma semana após terem assassinado outro". Dove também lembrou que o início da Copa foi marcado pelo tratamento hostil dado a algumas delegações, atletas e árbitros: "Também houve casos de árbitros que não tiveram a entrada permitida. Houve equipes e jogadores retidos por horas a fio para revistas. E o tratamento dispensado à seleção do Irã".



