Advogado que pediu condenação do cliente é encontrado morto em SC
Advogado que pediu condenação do cliente é achado morto

Advogado que pediu condenação do cliente é encontrado morto em Florianópolis

O advogado Rodrigo Pantaleão, que ganhou repercussão nacional após concordar com a condenação do próprio cliente durante uma audiência criminal, foi encontrado morto nesta quinta-feira (25) em Florianópolis, Santa Catarina. A Polícia Civil investiga as circunstâncias do óbito.

De acordo com o delegado Alex Bonfim, da Delegacia de Homicídios da Capital, o corpo foi localizado no bairro Itacorubi, após moradores denunciarem um forte odor vindo de um imóvel. “As primeiras informações apontam que o advogado já estava em óbito há alguns dias antes de ser encontrado em casa. O imóvel não estava com sinais de invasão e a vítima não tinha sinais de lesão”, informou o delegado.

Relembre o caso que chocou a comunidade jurídica

No dia 28 de maio, durante uma audiência na 3ª Vara Criminal de Florianópolis, Pantaleão surpreendeu ao concordar integralmente com a acusação do Ministério Público contra seu cliente. O vídeo da sessão online mostra o advogado utilizando o celular durante a fala do promotor Raul Rogério Rabello e, quando instado pela juíza Carolina Ranzolin a apresentar alegações finais, limitou-se a dizer: “A defesa corrobora com as afirmações exaladas pela promotoria de Justiça. Nada mais, excelência”.

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A juíza, então, considerou o réu indefeso e determinou a nomeação de um novo defensor. “Estou considerando o senhor indefeso. O senhor merece uma defesa, ainda que o senhor tenha admitido parte das questões ilícitas. Então, eu dou três dias para o senhor constituir um novo defensor. Se o senhor não constituir um novo defensor, eu vou nomear um defensor dativo para o senhor”, disse a magistrada.

O réu e os crimes imputados

O cliente de Pantaleão, de 36 anos, está preso em Florianópolis e responde por tráfico de drogas, resistência à prisão e porte de arma com numeração suprimida. Segundo a denúncia, ele foi detido em fevereiro deste ano em sua residência com 30 porções de cocaína, um frasco de 200 ml de loló e uma pistola modificada, além de ter tentado fugir durante a abordagem.

Após a recusa do advogado em apresentar uma defesa efetiva, a juíza concedeu prazo de três dias para que o réu constituísse novo defensor. Como não o fez, o Juízo nomeou o advogado Jackson José Seilonski, que assumiu a defesa. Procurado pelo g1, Seilonski afirmou que discordou da manifestação do MP que pedia a condenação e requereu a anulação das provas, sustentando que não havia justa causa para a entrada dos policiais na residência. Além disso, pediu a absolvição pelo crime de tráfico, argumentando que a quantidade apreendida seria destinada ao uso próprio.

OAB/SC toma providências

No dia 8 de junho, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção de Santa Catarina (OAB/SC) solicitou a apuração de eventual infração ética por parte de Pantaleão, pedido que foi deferido pela Justiça. Em nota, a OAB/SC informou: “Caso sejam constatadas infrações disciplinares após a devida apuração, poderão ser instaurados os procedimentos competentes no âmbito do Tribunal de Ética e Disciplina, os quais tramitam sob sigilo legal”.

A entidade destacou ainda que atua na defesa das prerrogativas profissionais e na fiscalização ética. “A advocacia deve ser exemplo para a sociedade. Por isso, a OAB/SC mantém atuação permanente tanto na proteção das prerrogativas profissionais quanto na fiscalização ética da atividade advocatícia. Nos últimos cinco anos, a Seccional aplicou 557 penas de suspensão e promoveu a exclusão de 69 advogados de seus quadros”, completou.

Investigação em andamento

A Polícia Civil segue investigando a morte de Rodrigo Pantaleão. Até o momento, não há suspeitos ou informações sobre a causa da morte. O caso continua sob sigilo.

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