A gravidez envolve uma série de decisões que impactam a saúde da mãe e do bebê, e a vacinação materna é uma das estratégias mais importantes integradas ao pré-natal. De acordo com especialistas, a imunização durante a gestação pode reduzir hospitalizações, complicações e mortalidade infantil, protegendo o bebê desde os primeiros momentos de vida.
Imunização materna: o primeiro presente
Adriana Ribeiro, diretora médica da Pfizer Brasil, explicou que a proteção oferecida pela vacinação materna é transmitida ao bebê via placenta. “Quem imuniza o bebê não é a vacina diretamente. É a mãe. Os anticorpos produzidos por ela atravessam a placenta. Esse é o primeiro presente que ela oferece ao filho ainda durante a gestação”, afirmou.
O pré-natal inclui orientações sobre as vacinas recomendadas para gestantes, conforme o Calendário da Gestante do Ministério da Saúde: Hepatite B, Covid-19, Influenza (gripe), VSR e dTpa/dT (difteria, tétano e coqueluche). Além da vacinação, o acompanhamento pré-natal abrange hábitos e decisões que repercutem por toda a vida da criança.
Escolhas que repercutem ao longo da vida
Sue Yazaki Sun, ginecologista e obstetra, destacou que as decisões tomadas durante a gestação podem influenciar a saúde do bebê nos primeiros anos e também ao longo da vida. “Muitas escolhas feitas durante a gestação podem influenciar não apenas a saúde do bebê nos primeiros anos, mas também repercutir ao longo da vida”, disse.
Após o nascimento, surgem dúvidas sobre o calendário vacinal infantil, reações esperadas e a quantidade de doses nos primeiros meses. O pediatra e infectologista Daniel Jarovsky explicou que muitos pais questionam a quantidade de vacinas, mas o calendário foi desenhado para proteger a criança na fase de maior vulnerabilidade. “Muitos pais perguntam: ‘São tantas vacinas nos primeiros meses, não posso dividir?’. Mas o calendário vacinal da criança foi construído justamente para atender às necessidades da criança na fase em que ela está mais vulnerável”, afirmou.
Calendário vacinal baseado em estudos
Renato Kfouri, pediatra infectologista, acrescentou que as datas das vacinas não são aleatórias. “Quando falamos em vacinação aos 2, 4 e 6 meses, por exemplo, essas datas não foram definidas de maneira aleatória. Existe muito estudo por trás da construção do calendário. São avaliadas eficácia, segurança, efeitos adversos e a combinação entre diferentes vacinas.”
Nos primeiros meses, infecções respiratórias como bronquiolite são uma preocupação frequente, pois o sistema imunológico do bebê ainda está em desenvolvimento.
Desafio das infecções respiratórias: VSR
O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é a principal causa de bronquiolite em crianças pequenas e um dos maiores desafios para a saúde infantil. Globalmente, o VSR está associado a milhões de hospitalizações e mais de 100 mil mortes anuais em crianças menores de cinco anos, sendo que cerca de metade desses óbitos ocorre em bebês com menos de seis meses. Kfouri alertou: “Existe a percepção de que apenas prematuros ou crianças com doenças prévias desenvolvem quadros graves, mas isso não é necessariamente verdade.”
Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) já oferece opções de prevenção contra o VSR, conforme recomendado pelo Programa Nacional de Imunização (PNI).
Informação durante a gestação é chave
Adriana Ribeiro reforçou que antecipar orientações sobre prevenção durante a gravidez ajuda a família a chegar aos primeiros meses com mais informação. “Entender os riscos e conhecer as opções de prevenção disponíveis são os primeiros passos para nos protegermos das doenças respiratórias. Embora a gestação seja um momento crucial para esse cuidado, é importante que a população compreenda que a atenção ao calendário vacinal vale para todas as fases da vida.”



