O Sistema Único de Saúde (SUS) deu início a um estudo clínico inédito no Brasil para testar canetas emagrecedoras à base de semaglutida em pacientes com obesidade grave. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, nesta sexta-feira (26) em Porto Alegre, durante evento no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA).
Detalhes do estudo
A pesquisa terá como alvo 250 pacientes com obesidade grave (índice de massa corporal – IMC – acima de 40 kg/m²) ou obesidade associada a outras comorbidades, como diabetes tipo 2, hipertensão e apneia do sono. O objetivo principal é avaliar a eficácia, segurança e custo-efetividade do uso de semaglutida no tratamento da obesidade no âmbito do SUS.
O estudo é financiado pela Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (FAURGS) e pela farmacêutica Novo Nordisk, desenvolvedora da semaglutida. A coordenação científica está a cargo de pesquisadores do HCPA e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Critérios de inclusão e metodologia
Os participantes serão recrutados entre pacientes já cadastrados na rede pública de saúde de Porto Alegre. Eles receberão acompanhamento multidisciplinar, incluindo nutricionistas, endocrinologistas e psicólogos. O tratamento terá duração de 68 semanas, com aplicações semanais da caneta injetável.
Segundo o ministro Padilha, “o SUS precisa oferecer opções terapêuticas modernas e eficazes para a obesidade, que é um grave problema de saúde pública no Brasil. Este estudo nos dará evidências para decidir se a semaglutida pode ser incorporada ao protocolo do sistema”.
Impacto na saúde pública
A obesidade atinge cerca de 20% da população brasileira, segundo dados do Ministério da Saúde. A condição está associada a maior risco de doenças cardiovasculares, diabetes e alguns tipos de câncer, gerando custos elevados ao SUS. Atualmente, o tratamento disponível na rede pública inclui orientação nutricional, atividade física e, em casos extremos, cirurgia bariátrica.
“A semaglutida já é aprovada pela Anvisa para tratamento de obesidade, mas seu alto custo impede o acesso de grande parte da população. Se o estudo demonstrar benefícios claros, poderemos negociar preços e ampliar o acesso”, explicou Padilha.
Próximos passos
O estudo deve ser concluído em 2027, com resultados preliminares esperados para 2026. Se positivo, o Ministério da Saúde poderá solicitar à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) a inclusão da semaglutida na lista de medicamentos fornecidos pelo sistema.
A iniciativa é acompanhada de perto por sociedades médicas e associações de pacientes, que veem na pesquisa uma esperança para milhares de brasileiros que lutam contra a obesidade grave.



