Um estudo do Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) revelou que homens negros e pardos atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) têm diagnóstico de câncer de próstata em estágio mais avançado em comparação com pacientes brancos. A pesquisa, que analisou dados de 670 mil pacientes, aponta disparidades raciais significativas no acesso a exames preventivos e tratamentos modernos.
Diagnóstico tardio e menor acesso a tratamentos
De acordo com o levantamento, apenas 1% dos pacientes negros e pardos receberam terapias modernas, como hormonioterapia avançada ou imunoterapia, enquanto entre brancos esse índice foi maior. O diagnóstico tardio está diretamente relacionado ao menor acesso a exames de rastreamento, como o PSA, e a consultas especializadas. Como consequência, a doença é identificada em fases mais agressivas, reduzindo as chances de cura.
Disparidade nos gastos
O estudo também identificou que o valor médio gasto com pacientes brancos foi 16,2% superior ao gasto com pacientes não brancos. Essa diferença reflete não apenas o uso de tratamentos mais caros, mas também o acesso a procedimentos cirúrgicos e radioterápicos em estágios iniciais. Para os pesquisadores, os dados evidenciam a necessidade de políticas públicas que garantam equidade racial no SUS.
Necessidade de políticas de equidade
Os autores do estudo destacam que a desigualdade racial no câncer de próstata é um reflexo de barreiras estruturais, como dificuldades de acesso a serviços de saúde de qualidade, menor nível de informação sobre prevenção e preconceito institucional. Eles recomendam a implementação de estratégias específicas para a população negra, como campanhas educativas direcionadas e ampliação do rastreamento em comunidades vulneráveis.
Impacto na saúde pública
O câncer de próstata é o segundo tipo mais comum entre homens no Brasil, com cerca de 65 mil novos casos por ano. A detecção precoce aumenta significativamente as taxas de sobrevida, mas o estudo mostra que, no SUS, a maioria dos pacientes negros e pardos só descobre a doença quando já há metástase. Isso sobrecarrega o sistema com tratamentos mais complexos e caros, além de reduzir a qualidade de vida dos pacientes.
Os pesquisadores esperam que os resultados subsidiem a formulação de políticas de saúde mais inclusivas, capazes de reduzir as disparidades raciais e melhorar o prognóstico dos pacientes atendidos pelo sistema público.



