O oncologista pediátrico Sidnei Epelman, responsável por transformar o tratamento do câncer infantil no Brasil, faleceu no último domingo (5) aos 78 anos. Ele liderou iniciativas que elevaram a taxa de sobrevida de crianças com a doença de 10% para 70% nas últimas décadas.
Trajetória e contribuições
Formado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Epelman dedicou mais de 50 anos à oncologia pediátrica. Foi um dos fundadores do Instituto de Oncologia Pediátrica (IOP) do Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (Graacc), em São Paulo, referência nacional no tratamento da doença.
Segundo o Graacc, o médico foi pioneiro na implementação de protocolos internacionais no Brasil, como os do St. Jude Children's Research Hospital, nos Estados Unidos. “Ele foi um visionário. Graças a ele, milhares de crianças tiveram chance de cura”, afirmou o diretor-executivo do Graacc, João Paulo X. de Oliveira.
Impacto na sobrevida
Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) mostram que, na década de 1970, a sobrevida de crianças com câncer no Brasil era de apenas 10%. Com a atuação de Epelman e a criação de centros especializados, esse índice saltou para cerca de 70% atualmente. No Graacc, a taxa de cura chega a 80%.
“Ele não apenas tratou pacientes, mas formou gerações de médicos e influenciou políticas públicas de saúde”, destacou a oncologista pediátrica Maria Lúcia de Martino, que trabalhou com Epelman por 30 anos.
Legado e reconhecimento
Epelman recebeu diversas honrarias, incluindo a Ordem do Mérito Médico do Ministério da Saúde. Em 2023, foi homenageado pelo Congresso Nacional por sua contribuição à saúde infantil. O médico também publicou mais de 150 artigos científicos e foi editor de revistas especializadas.
O velório ocorreu no Cemitério Israelita do Butantã, em São Paulo, e contou com a presença de familiares, amigos e ex-pacientes. “Ele era mais que um médico, era um amigo. Salvou minha vida quando eu tinha 7 anos”, emocionou-se a professora Ana Paula R., 34, curada de leucemia.
Futuro do tratamento
Apesar dos avanços, Epelman alertava para desafios como o diagnóstico tardio e a desigualdade regional no acesso ao tratamento. Em entrevista ao jornal O Globo em 2024, afirmou: “Ainda temos muito a fazer para que todas as crianças brasileiras tenham as mesmas chances de cura”.
O Graacc anunciou que dará continuidade ao trabalho do médico, com a criação de um centro de pesquisa em seu nome. A expectativa é que o legado de Epelman inspire novas gerações a continuar a luta contra o câncer infantil.



