Um levantamento inédito realizado pelo Ministério da Saúde em parceria com a Sociedade Brasileira de Queimaduras revelou que crianças e adolescentes de 0 a 19 anos correspondem a 13% do total de internações por queimaduras no Sistema Único de Saúde (SUS). Os dados, referentes a 2025, indicam que foram registradas 18.432 internações nessa faixa etária, sendo a maioria causada por acidentes domésticos evitáveis.
Perfil das vítimas e causas mais comuns
De acordo com o estudo, os meninos são as principais vítimas, representando 58% dos casos, enquanto as meninas somam 42%. A faixa etária mais afetada é a de 1 a 4 anos, com 35% das internações, seguida por adolescentes de 15 a 19 anos (22%) e crianças de 5 a 9 anos (18%). As causas mais frequentes incluem escaldaduras com líquidos quentes (45%), contato com superfícies quentes (25%) e chamas diretas (15%).
Regiões com maior incidência
O levantamento aponta que a região Nordeste concentra o maior número de casos, com 32% das internações, seguida pelo Sudeste (28%), Norte (18%), Centro-Oeste (12%) e Sul (10%). Em estados como Maranhão e Pará, a taxa de internação por queimaduras em crianças chega a ser o dobro da média nacional.
Impacto na saúde pública
As queimaduras são uma das principais causas de morte acidental em crianças no Brasil, com uma taxa de letalidade de 2,3% entre os internados. Além disso, o tempo médio de internação é de 9 dias, gerando custos elevados para o SUS. O Dr. Carlos Eduardo de Oliveira, presidente da Sociedade Brasileira de Queimaduras, afirmou: "A maioria desses acidentes poderia ser evitada com medidas simples, como supervisão constante e adequação dos ambientes domésticos."
Medidas de prevenção
O Ministério da Saúde lançou uma campanha nacional de prevenção de queimaduras, com foco em orientações para famílias e escolas. Entre as recomendações estão: manter líquidos quentes fora do alcance das crianças, instalar protetores em tomadas e fogões, e ensinar os adolescentes sobre os riscos de manipular álcool e outros inflamáveis. A campanha também prevê a distribuição de cartilhas em unidades básicas de saúde e a capacitação de profissionais para o atendimento inicial de queimaduras.
Desafios no tratamento
O estudo destaca que apenas 40% dos hospitais do SUS possuem unidades especializadas em queimados, o que dificulta o tratamento adequado, especialmente em regiões mais remotas. O Ministério da Saúde planeja investir R$ 50 milhões na ampliação dessas unidades até 2027, além de treinar equipes multidisciplinares para reduzir sequelas e mortalidade.



