O prefeito de Orizânia, na Zona da Mata mineira, Jonia Leite (PDT), foi afastado do cargo por improbidade administrativa. A decisão liminar, válida por 90 dias, também determinou o bloqueio de R$ 5,8 milhões do réu.
Segundo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o chefe do Executivo estruturou um esquema de fraude licitatória e desvio de recursos públicos por meio de contratos de aluguel de máquinas pesadas, das quais ele próprio era proprietário. As notas fiscais eram emitidas em nome de parentes para ocultar o verdadeiro dono.
Com o afastamento, Jonia Leite está impedido de entrar em qualquer prédio da administração municipal, mesmo para retirar objetos pessoais, e não pode emitir ordens ou recomendações a servidores. O vice-prefeito assumirá o Executivo durante o período.
Conforme a denúncia, os pagamentos por hora de trabalho eram inflados em planilhas manipuladas, com serviços não prestados ou superfaturados. Fiscais municipais atestavam a falsa prestação por meio de relatórios produzidos pelos próprios locadores. O aluguel era firmado via Consórcio Intermunicipal Multifinalitário do Vale do Aço (Cimva), totalizando R$ 8,2 milhões em dois contratos (2022 e 2024).
O MP destacou que o modelo de aluguel já havia sido alvo de ação judicial em 2022, quando uma liminar obrigou o município a encerrar contrato similar com a Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Rio Pomba (Amerp). Mensagens interceptadas pela investigação indicam cobrança superfaturada, notas fraudulentas e pagamento de comissões.
Jonia Leite, em seu segundo mandato desde 2021, já havia sido multado em 2023 por contratar assessorias e consultorias de forma irregular. O g1 tenta contato com a Prefeitura e com o prefeito.



