O único museu de arqueologia bíblica da América do Sul, localizado em Engenheiro Coelho, interior de São Paulo, reúne mais de três mil peças históricas e religiosas. O espaço, que teve início após a doação de uma peça da coleção pessoal de um aluno, permite que os visitantes façam uma imersão nos cenários descritos na Bíblia.
Acervo e destaques
De acordo com o museu, cerca de 80% do acervo é composto por itens originais, enquanto os 20% restantes são réplicas usadas para contextualizar o mundo antigo e a Bíblia. Entre os destaques expostos nas galerias estão:
- Representação do piso do Templo de Jerusalém da época de Jesus, que possui apenas duas unidades no mundo (esta e a original em Israel);
- Bíblia impressa na França em 1528, escrita em latim, considerada uma das primeiras impressões da humanidade;
- Réplica do código de Hamurábi, apontado como o conjunto de leis mais antigo da história;
- Réplicas em tamanho real do sarcófago do faraó Tutancâmon e da múmia de Ramsés II;
- Maquete de Jerusalém que permite aos visitantes traçarem visualmente os caminhos percorridos por Cristo até o templo.
Experiência imersiva
A experiência começa logo na recepção, onde o chão reproduz o piso do Templo de Jerusalém da época de Jesus. O mosaico é resultado de uma pesquisa arqueológica que uniu fragmentos de pedras e possui apenas duas representações no mundo. "Além de ser bonito esteticamente, carrega muito significado", afirmou o instrutor do museu e historiador Sérgio Micael Santos.
Já na parte interna, as galerias explicam desde os materiais usados para compilar as escrituras até as culturas que cercam os relatos. O museu também conta com uma maquete da cidade de Jerusalém que ilustra os tempos de Cristo. O instrutor explicou que a estrutura permite a localização de edifícios mencionados nas escrituras. "A pessoa consegue localizar e fazer até um caminho imaginário. Por exemplo, Jesus, quando visita o templo, ele muito provavelmente faz esse caminho aqui", detalhou Sérgio.
A imersão se estende para a área externa, com um jardim montado para reproduzir a geografia da época. O ambiente abriga plantas citadas frequentemente nos textos sagrados, como videiras, acácias de madeira avermelhada e uma oliveira que tem quase 300 anos.
Origem do museu
A história do museu começou com a coleção pessoal do arqueólogo Paulo Borch, um ex-estudante da Universidade Adventista de São Paulo (Unasp), que administra o museu. Em 1994, após realizar escavações em Israel, Jordânia e Egito, ele doou parte de seu material para a instituição como forma de agradecimento pelo tempo em que estudou no local. A primeira versão do espaço foi inaugurada em 2000, funcionando em uma sala emprestada da biblioteca da universidade, e o ambiente atual, mais amplo, foi aberto ao público em 2023. "Hoje esse acervo está disponível e as pessoas podem conhecer a história através da arqueologia", celebrou o instrutor.
Serviço
Todas as visitas ao museu são guiadas e os interessados podem obter informações pelo site da instituição. Às quartas-feiras, a entrada é gratuita e não exige agendamento prévio, com ingressos disponíveis tanto na internet quanto na recepção do local.



