Drones equipados com cabos de fibra óptica, baratos e fáceis de operar, têm causado baixas e exposto vulnerabilidades na defesa israelense, apesar da superioridade militar do país. Diferentemente de modelos que usam GPS ou rádio, esses dispositivos são controlados por fios de até 50 km, o que impede bloqueio eletrônico e dificulta detecção ou neutralização.
O Hezbollah passou a priorizar esse tipo de ataque, explorando fragilidades de Israel em uma estratégia comum em conflitos assimétricos. Em apenas uma semana, dois soldados e um contratado civil morreram devido a esses drones, segundo o exército israelense. O operador pilota o aparelho com visão imersiva por tela ou óculos de realidade virtual, sem necessidade de treinamento complexo.
Orna Mizrahi, pesquisadora do Instituto de Estudos de Segurança Nacional (INSS) de Tel Aviv, comparou o uso a um “brinquedo de criança” e destacou que os drones podem ser comprados facilmente online. A arma, típica de guerras assimétricas, já demonstrou capacidade de causar danos consideráveis e representa um desafio para Israel em uma das frentes mais ativas do conflito regional.
Israel reconhece dificuldades para conter a ameaça. Um alto oficial militar israelense afirmou que o país aprendeu com o uso de drones na Ucrânia, mas o exército “hoje não tem resposta porque não se preparou para enfrentar explosivos tão rudimentares”, avaliou Mizrahi. O especialista Arié Aviram explicou que, por não transmitir imagens por rádio, o drone não pode ser detectado ou neutralizado eletronicamente.
Soluções atuais são limitadas ou financeiramente inviáveis. Derrubar dispositivos de algumas centenas de dólares com mísseis interceptadores é insustentável a longo prazo. O novo sistema a laser pode ser uma alternativa, desde que implementado em larga escala. Em 11 de abril, o Ministério da Defesa israelense lançou licitação para “tecnologias inovadoras” contra drones controlados por fibra óptica.
Métodos improvisados, como redes e coberturas de proteção, evidenciam o contraste entre armas simples e sistemas militares avançados. Yousef al Zein, dirigente do Hezbollah, afirmou que a organização conhece a superioridade do inimigo, mas explora seus pontos fracos. O ex-ministro ucraniano Oleksi Reznikov disse que ofereceu experiência em drones a Israel em 2022, mas não houve resposta concreta.



