A COP30, realizada em Belém, encerrou-se na sexta-feira com anúncios de iniciativas voluntárias e avanços em temas secundários, mas sem consenso sobre itens cruciais da agenda. A conferência foi marcada por protestos, invasões na área protegida e uma marcha com 30 mil pessoas pelo clima, além de reclamações formais da ONU sobre a estrutura do evento.
A presidência brasileira, liderada pelo embaixador André Corrêa do Lago, optou por discutir quatro itens contenciosos em um processo paralelo, permitindo que a conferência começasse sem atraso. No entanto, esse mecanismo não foi concluído até o fim da COP. Um documento compilando opções e possíveis encaminhamentos foi publicado, mas a decisão final será tomada em nível político.
Entre os temas não resolvidos estão a criação de novas trilhas negociadoras para conferências futuras e a possibilidade de uma 'decisão de capa', um documento de menor força que a presidência brasileira tenta evitar. A prioridade do Brasil é a implementação de compromissos já existentes, sem criar novas obrigações ou reabrir negociações passadas.
Duas outras decisões importantes foram esperadas: a definição de indicadores universais de adaptação, que podem facilitar o acesso a recursos financeiros, e avanços no grupo de trabalho de transição justa, que busca garantir que trabalhadores da indústria de combustíveis fósseis não sejam deixados para trás. A criação do Mecanismo de Ação de Belém (BAM) foi introduzida formalmente, mas seu futuro permanece incerto.
Apesar da pressão do tempo, a conferência terminou sem um mapa do caminho para o fim dos combustíveis fósseis, uma demanda de vários países. A embaixadora Liliam Chagas, negociadora-chefe do Brasil, afirmou que a segunda semana foi um teste crucial, mas ainda não está claro onde as negociações 'aterrissarão'.



