Novo trecho do Bonde de Santa Teresa atrasa mais de 1 ano e moradores reclamam
Novo trecho do Bonde de Santa Teresa atrasa mais de 1 ano

A entrega de um novo trecho do Bonde de Santa Teresa, que promete restabelecer uma ligação histórica na cidade do Rio de Janeiro, está atrasada há mais de um ano. A obra, que custou mais de R$ 50 milhões, ainda não entrou em operação, gerando insatisfação entre turistas e moradores.

Atraso na entrega e custos elevados

O ramal Silvestre, desativado há quase 20 anos, começou a ser recuperado em janeiro de 2025, data prevista para sua inauguração. O contrato, assinado no fim de 2023, recebeu três aditivos que ampliaram custos e prazos. A conclusão da obra ocorreu apenas em novembro do ano passado, mas mais de seis meses depois, o trecho segue sem operação. De acordo com uma planilha obtida pelo RJ2, a recuperação do ramal custou mais de R$ 53 milhões.

Importância histórica e impacto no turismo

Quando começar a funcionar, o ramal permitirá que passageiros desembarquem a poucos metros da estação do Trem do Corcovado, retomando uma ligação que não existia desde 1966, quando um temporal causou danos na cidade. “É retomar a história. São 60 anos de desconexão. Uma oportunidade para o turista fazer um passeio pela Mata Atlântica e conhecer o bairro de forma integral”, afirma o presidente da Associação de Moradores de Santa Teresa, Osmar Calixto. Ele destaca que o aumento do fluxo de turistas beneficiará restaurantes, hotéis e a economia local.

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Problemas na operação atual

Além do atraso, moradores reclamam da quantidade de bondes em circulação e do intervalo entre as viagens. Em abril, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) publicou um relatório baseado em um levantamento de 2025. Segundo o documento, dos oito bondes operacionais, apenas quatro estavam em circulação. O órgão apontou que o intervalo entre as viagens e o tempo de espera estavam abaixo do potencial do sistema, com espera média de 30 minutos. Atualmente, o site do governo informa que os bondes circulam com intervalo de uma hora.

Uma moradora relata: “Teve uma vez que eu esperei muito tempo lá embaixo e perguntei se o bonde ia passar. Disseram que não, que só passavam dois. Tive que subir a pé, eram umas quatro ou cinco horas. Acho que eles deveriam consertar e colocar mais bondes, porque a gente que mora aqui também precisa.”

Resposta da Secretaria de Transportes

A Secretaria Estadual de Transporte e a Central Logística informaram que os testes operacionais do ramal Silvestre estão sendo realizados desde o início de junho, sem passageiros, em percursos parciais e integrais. A circulação com passageiros deve começar nos próximos dias, com opções de viagem pela manhã e à tarde. Ao longo do mês, serão feitos ajustes, treinamento de motorneiros e orientação a moradores e visitantes. Somente em julho, após avaliação dos testes, a grade horária será definida e divulgada. Sobre os outros trechos, a secretaria afirma que quatro bondes estão circulando e os outros quatro estão em manutenção para modernização das rodas.

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