Aquecimento dos oceanos ameaça tubarões e atuns de corpo quente
Aquecimento dos oceanos ameaça tubarões e atuns de corpo quente

Um estudo publicado na revista Science revela que tubarões-brancos, tubarões-mako e atuns, que mantêm partes do corpo mais quentes que a água, gastam quase quatro vezes mais energia que peixes de sangue frio de tamanho equivalente. Essa característica, que os torna mais rápidos e poderosos, pode se tornar uma desvantagem com o aquecimento dos oceanos.

Liderada pelo professor Nicholas Payne, da Universidade de Trinity College Dublin, a pesquisa analisou dados de peixes desde larvas microscópicas até tubarões de mais de três toneladas. A maioria dos peixes tem temperatura corporal igual à da água, mas menos de 0,1% das espécies evoluiu para reter o calor metabólico, incluindo tubarão-branco, tubarão-mako, tubarão-frade e várias espécies de atum.

Manter o corpo aquecido exige mais energia, e quanto maior o animal, mais calor ele produz, mas a capacidade de dissipá-lo não cresce na mesma proporção. Isso cria um desequilíbrio que se agrava com o tamanho. Segundo Payne, grandes peixes de corpo quente geralmente são encontrados apenas em águas frias.

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O modelo desenvolvido calcula os limites térmicos de cada espécie. Um tubarão de 500 quilos enfrentaria dificuldades em águas acima de 20°C, e um de uma tonelada, acima de 17°C. Se o limite for ultrapassado, o peixe precisa agir ou corre risco de morte.

Muitos desses peixes já estão ameaçados pela pesca excessiva e captura acidental. O aquecimento dos oceanos representa mais uma pressão sobre animais em situação delicada. “Nosso estudo destaca uma vulnerabilidade adicional da qual devemos estar cientes, dadas as mudanças que já ocorrem em nossos oceanos”, alerta Payne.

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