As plantas carnívoras possuem armadilhas que vão além das famosas bocas da Nephentes ou das garras da dionaea. Algumas usam gotas colantes que parecem orvalho, outras criam abrigos subterrâneos que sugam presas. O Brasil é o segundo país com maior diversidade dessas espécies, com cerca de 130, atrás apenas da Austrália (250). No entanto, 28 espécies brasileiras estão ameaçadas de extinção, sendo 13 criticamente ameaçadas.
Por que as plantas carnívoras comem insetos?
Segundo Julio Santiago, mestrando em Ecologia da UFMG, a síndrome carnívora surgiu como mecanismo de sobrevivência em solos pouco férteis. Os insetos são fonte complementar de nutrientes, como nitrogênio e fósforo, mas a principal energia ainda vem da fotossíntese, explica o professor Paulo Gonella, da UFSJ.
Podem capturar animais maiores?
Sim, mas de forma acidental. As Nephentes, com formato de jarro, podem prender pequenos pássaros ou roedores atraídos por insetos ou açúcar. No entanto, se o animal for grande demais, a planta pode apodrecer pelo excesso de nutrientes.
Maiores espécies do mundo
Duas espécies atingem até 1,5 metro: a Drosera magnifica, de Minas Gerais, e a Nephentes rajah, da Ilha de Bornéu.
São venenosas? Podem 'morder' o dedo?
Nenhuma planta carnívora conhecida é venenosa ou tóxica. Segundo Santiago, a sinalização química para captura envolve quitina, proteína do exoesqueleto de insetos. Um dedo humano não estimula o fechamento adequado.
Espécies ameaçadas no Brasil
O estudo "Conservação das plantas carnívoras na Era da Extinção", de Gonella e outros (2020), aponta 193 espécies ameaçadas globalmente (20% do total). O Brasil lidera em número de espécies criticamente ameaçadas. O gênero Philcoxia, endêmico do Cerrado e Caatinga, tem 100% de suas espécies ameaçadas. Já a Drosera tem 40% ameaçada. Gonella destaca a destruição de habitats para agricultura e o uso de fertilizantes e pesticidas como principais causas.



