Peixes invasores alteram lagos e efeito piora com aquecimento
Peixes invasores alteram lagos e efeito piora com aquecimento

Peixes invasores estão transformando o funcionamento de ecossistemas aquáticos em várias regiões do mundo, e os efeitos tendem a se intensificar com o aquecimento global. A conclusão é de um estudo publicado na revista Global Change Biology, uma das principais publicações internacionais em Ecologia.

Estudo analisou 636 mil peixes em quatro países

Liderada pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a pesquisa reuniu dados de 636.980 peixes, distribuídos em 667 comunidades de 402 lagos no Brasil, Canadá, França e Espanha. Os pesquisadores avaliaram 404 espécies de peixes, analisando comunidades onde nativas e não nativas coexistem sob diferentes níveis de invasão.

Segundo os autores, comunidades com maior pressão de espécies invasoras apresentam alterações significativas na estrutura de tamanho dos peixes e na biomassa das espécies nativas, modificando processos ecológicos essenciais para o funcionamento dos ambientes aquáticos.

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Estrutura das comunidades é alterada

O trabalho mostra que, quanto maior a presença de espécies invasoras, maior a alteração na estrutura das comunidades aquáticas. A distribuição entre peixes pequenos e grandes deixa de seguir o padrão ecológico esperado, afetando o fluxo de energia dentro do ecossistema.

“Espécies não nativas de níveis tróficos inferiores podem ter impactos ainda maiores do que peixes piscívoros ao remodelar a estrutura das comunidades e reduzir a biomassa das espécies nativas”, explicam os pesquisadores. Peixes invasores ocupam diferentes funções ecológicas e alteram a organização das comunidades por predação, competição por alimento e espaço, e mudanças indiretas no habitat.

Temperatura modula o impacto das invasões

Um dos principais resultados é que o impacto das invasões depende da temperatura do ambiente. Em lagos mais quentes, peixes invasores predadores exercem maior pressão sobre indivíduos pequenos e juvenis. Temperaturas elevadas aumentam a demanda metabólica e a atividade alimentar desses predadores, favorecendo a captura de presas menores.

Já em ambientes mais frios, o efeito dominante é outro: espécies invasoras de níveis tróficos inferiores competem por recursos como alimento, abrigo e áreas usadas pelas nativas, reduzindo principalmente sua biomassa.

Mudanças climáticas ampliam desafio

Os resultados indicam que invasões biológicas e mudanças climáticas podem atuar em conjunto, ampliando os impactos sobre a biodiversidade aquática. Compreender como temperatura e espécies invasoras interagem é fundamental para prever os impactos das mudanças climáticas sobre comunidades de água doce.

O estudo conclui que estratégias de conservação e manejo devem considerar não apenas quais espécies invasoras estão presentes, mas também sua posição na cadeia alimentar e as condições climáticas de cada região.

A pesquisa foi conduzida pela pós-doutoranda Barbbara Silva Rocha, do Departamento de Ciências Ambientais da UFSCar, sob supervisão do professor Victor Satoru Saito, em colaboração com pesquisadores do Brasil, Canadá, França, Espanha e Reino Unido.

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