As ondas de calor estão se tornando mais frequentes e intensas em todo o mundo, inclusive no Brasil. De acordo com especialistas, o principal motivo é o aumento das emissões de gases poluentes, que intensificam o aquecimento global.
Uma pesquisa publicada na revista Nature analisou 213 ondas de calor em 63 países entre 2000 e 2023. O estudo concluiu que 50% do agravamento desses eventos extremos pode ser atribuído às emissões das 180 maiores produtoras de combustíveis fósseis e cimento do planeta. Sem a influência da mudança climática causada pelo ser humano, ao menos um quarto desses episódios teria sido “praticamente impossível”.
As ondas de calor se formam a partir de dois fatores: massas de ar quente e seco e bloqueios atmosféricos. Esses bloqueios são sistemas de ventos no alto da atmosfera que funcionam como uma barreira, impedindo a chegada de frentes frias. Sem a entrada de umidade e sem ventos que renovem o ar, a massa quente se fortalece e permanece sobre uma região por vários dias, elevando as temperaturas.
Com o aumento da temperatura média global, o padrão de circulação atmosférica está mudando. O ar mais quente retém mais energia e umidade, favorecendo extremos de calor e de chuva. No Brasil, isso resulta em períodos mais longos de estiagem e calor intenso, seguidos por chuvas extremas concentradas em poucos dias.
Além dos impactos ambientais, as ondas de calor representam riscos à saúde humana. O calor intenso pode causar náusea, tontura, fadiga e dores de cabeça. Em casos graves, o estresse térmico pode levar à falência de órgãos e morte. Segundo o Ministério da Saúde, quase 60 pessoas morreram no Brasil nos últimos 14 anos devido ao calor extremo, mas especialistas alertam que o número pode ser subnotificado.



