Ilhas flutuantes purificam água e beneficiam agro no ES
Ilhas flutuantes purificam água e beneficiam agro

No Espírito Santo, estruturas flutuantes que lembram pequenas ilhas, construídas com plantas e materiais reaproveitados, têm sido usadas para despoluir rios e lagos. O sistema, implementado pelo Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) em Alegre, no Sul do estado, funciona como um filtro natural e melhora a qualidade da água na região.

Como funcionam as ilhas flutuantes

Segundo o engenheiro ambiental Léo Tannous, as ilhas flutuantes representam uma maneira natural de vivificar os cursos d’água a partir do uso de itens descartados, como garrafas PET e até resíduos retirados do próprio rio. As estruturas também contribuem para o aprendizado dos estudantes que participam da elaboração.

Pedro Victor Apolinário, aluno de Ciências Biológicas, não sabia que era possível construir uma ilha que limpa os rios, mas passou a defender o sistema: “Além de trazer algo bonito, um paisagismo, ela também filtra a água, forma um ecossistema em volta dela. Então, a gente consegue formar colônias de bactérias que também vão filtrar a água, trazer de volta a fauna, porque vêm aves, os peixes ficam ali ao redor”.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Custo-benefício e acessibilidade

Feitas a partir de materiais descartados, as ilhas flutuantes são baratas e acessíveis, podendo ser instaladas em diferentes açudes e lagos em propriedades rurais sem a necessidade de altos investimentos, como destacou o estudante.

Espécies de plantas e funções específicas

Diferentes espécies podem ser usadas na construção da ilha, cada uma com raízes que desempenham função específica na filtragem da água. Léo Tannous explica: “É importante saber qual o tipo de contaminação que tem nesse rio, nesse curso d'água, para encontrar as plantas específicas que vão gostar de absorver e retirar aquilo da água.”

Na natureza, também existem ilhas flutuantes naturais que realizam a limpeza das águas, como a lentilha d'água, a salvinia e o aguapé. A presença excessiva dessas espécies em rios e lagos indica grande presença de poluentes, conforme explica Karla Pedra, coordenadora do Laboratório de Botânica do Ifes: "Todas essas plantas têm a capacidade de absorver nutrientes da água. Então, a gente tem a retirada de matéria orgânica que pode vir de esgoto, descarga de efluentes de alguma criação, os próprios agrotóxicos."

Aplicação no campo

A solução despoluidora pode ser aplicada tanto para recuperar o meio ambiente quanto para melhorar a qualidade das águas de propriedades rurais. Thay Ciara, aluna de Agronomia, explicou que, em algumas produções, o uso de agrotóxicos é comum, o que pode resultar na contaminação do solo e rios. “A gente tem contaminação desde as cidades, com esgoto, até as produções agrícolas também, onde a gente utiliza venenos para combater as pragas, as doenças que a gente tem no nosso meio agrícola, o que vai influenciar no lençol freático e nas nossas águas”, relata Thay.

Mais do que uma técnica, a proposta é mostrar que existem caminhos acessíveis para cuidar da água, como ressalta Léo: "Ela é mais uma ferramenta, mais uma carta na manga de soluções que a gente busca se inspirar no que a natureza já faz para recriar sistemas que vão melhorar a condição que a gente vive atualmente."

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar