A antiga Vila de Tatajuba, localizada em Camocim, no litoral oeste do Ceará, foi soterrada por dunas móveis entre as décadas de 1970 e 1980. A comunidade, que era formada por pescadores e agricultores, foi forçada a migrar para áreas vizinhas devido ao avanço da areia.
O soterramento ocorreu porque a vila foi construída na rota natural de migração das dunas, que se deslocam pela ação do vento. A igreja foi uma das primeiras construções a ser engolida, seguida pela escola, posto de saúde e dezenas de casas. Não há dados oficiais sobre o número de moradores atingidos.
Após o desaparecimento da vila, os moradores se estabeleceram em comunidades próximas, formando o atual distrito de Tatajuba, reconhecido oficialmente em novembro de 2025. O território, com mais de cinco mil hectares, inclui as vilas de Tatajuba, Baixa Tatajuba, Vila Nova e São Francisco.
Atualmente, a região é um destino turístico conhecido por suas dunas, lagoas e mar, integrando a Rota das Emoções, que também inclui Jericoacoara e o Delta do Parnaíba. Em 2025, Camocim recebeu 892.251 turistas. No entanto, moradores nativos temem os impactos do turismo desenfreado e da especulação imobiliária sobre a pesca artesanal, a agricultura e a identidade local.
Após mais de 20 anos de disputa com uma empresa, o Estado do Ceará assumiu parte das terras em 2023 para iniciar a regularização fundiária. A região está inserida em uma Área de Proteção Ambiental (APA), definida por lei municipal.



