Cocaína, microplásticos e 25 agrotóxicos no Rio Tietê
Cocaína e agrotóxicos poluem todo o Rio Tietê

Cientistas identificaram cocaína, microplásticos e 25 tipos de agrotóxicos na água do Rio Tietê, em uma análise que cobriu desde a nascente até a foz. Nenhum trecho do rio está completamente livre de poluentes, segundo a pesquisa conduzida pela ONG SOS Mata Atlântica em parceria com quatro universidades.

Poluentes não monitorados por autoridades

As amostras revelaram a presença de substâncias que não fazem parte do monitoramento rotineiro das autoridades ambientais. Entre os contaminantes, destacam-se resíduos de cocaína, indicando alto consumo na região, além de microplásticos e uma variedade de agrotóxicos usados na agricultura.

“A presença de cocaína reflete o consumo elevado na área metropolitana de São Paulo e a ineficiência do tratamento de esgoto”, afirmou um dos pesquisadores responsáveis pelo estudo.

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Da nascente à foz: contaminação generalizada

A pesquisa coletou amostras em diferentes pontos ao longo de todo o curso do Tietê, desde a nascente em Salesópolis até a foz no município de Barra Bonita. Em todos os locais analisados, foram detectados ao menos um dos poluentes investigados. Os cientistas alertam que a contaminação por múltiplos agentes químicos pode potencializar os efeitos nocivos à saúde humana e ao ecossistema.

Segundo os dados, foram encontrados 25 agrotóxicos diferentes, alguns dos quais proibidos em outros países. Os microplásticos estavam presentes em todas as amostras, com concentrações variáveis. A cocaína apareceu em níveis detectáveis em diversos pontos, especialmente próximos a centros urbanos.

Necessidade de monitoramento ampliado

Os pesquisadores defendem que o monitoramento oficial do rio seja expandido para incluir essas substâncias, atualmente ignoradas nos relatórios de qualidade da água. “Sem esse monitoramento, não é possível dimensionar o real impacto da poluição nem adotar medidas de mitigação eficazes”, explicou o coordenador do estudo.

A pesquisa também recomenda a adoção de práticas agrícolas sustentáveis para reduzir o aporte de agrotóxicos e o investimento em saneamento básico para diminuir a carga de esgoto não tratado, que carrega drogas e outros contaminantes.

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