TJSP nega liberdade a Deolane; juíza cita afastamento voluntário da filha
TJSP nega liberdade a Deolane; juíza cita afastamento voluntário

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) negou, nesta quinta-feira (25), o pedido de liberdade apresentado pela defesa da influenciadora digital Deolane Bezerra. Na decisão, a relatora do caso destacou que Deolane já havia se afastado voluntariamente da filha de dez anos em 2022 para participar de um reality show, argumento usado para refutar a alegação de que a prisão a impediria de cuidar da criança.

Contexto da prisão

Deolane foi presa preventivamente em 21 de maio, durante a Operação Vérnix, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Um dia depois, em 22 de maio, foi transferida para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no oeste paulista, onde permanece detida.

A defesa já havia solicitado anteriormente a transferência para a Sala de Estado-Maior ou a substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar, mas ambos os pedidos foram negados pela Justiça de Presidente Venceslau em 9 de junho. O novo pedido de habeas corpus, rejeitado agora pelo TJSP, pleiteava que Deolane pudesse responder ao processo em liberdade.

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Argumentos da defesa e do MP

Um dos principais argumentos da defesa era a necessidade de Deolane cuidar da filha de dez anos. No entanto, o Ministério Público já havia reforçado que a prisão domiciliar não é concedida em casos de organização criminosa que opera mediante violência. Na decisão do TJSP, a relatora mencionou que Deolane já permaneceu distante da filha por aproximadamente três meses quando participou voluntariamente de um reality show em 2022. Além disso, a criança está sendo cuidada pela família da influenciadora, não sendo indispensável a soltura para prestar cuidados.

“Muito embora se reconheça a importância da figura materna para uma criança, não há nos autos qualquer indício de que a filha menor da paciente esteja desamparada ou em situação de vulnerabilidade”, argumentou a relatora. A decisão também citou publicações em redes sociais mostrando que a menina celebrou o aniversário de 10 anos com a família enquanto Deolane já estava presa, reforçando a existência de uma rede de apoio familiar estruturada.

Acusações contra Deolane

A investigação começou em 2019, após agentes penitenciários encontrarem bilhetes manuscritos na Penitenciária II de Presidente Venceslau com ordens internas do PCC. A partir daí, a polícia mapeou a estrutura financeira da facção, chegando a uma transportadora de cargas usada como empresa de fachada para movimentar dinheiro ilícito. Segundo o MP e a Polícia Civil, a transportadora fazia repasses para contas de terceiros, duas delas em nome de Deolane. O esquema envolvia depósitos fracionados em espécie e uma rede complexa de movimentações para ocultar a origem criminosa dos recursos.

O delegado Edmar Caparroz afirmou que o PCC usava a projeção pública e o patrimônio de Deolane para dar aparência de legalidade aos recursos. “O crime organizado deposita os valores nessa figura pública, esse dinheiro acaba se misturando com o dinheiro de outras atividades, e, quando precisa, esses recursos retornam para o crime organizado”, declarou.

Ligação com Marcola

O principal elo entre Deolane e Marcola, líder do PCC, seria Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha do chefe da facção, que mora em Madri. Deolane também mantinha vínculos pessoais e comerciais com um dos gestores fantasmas da transportadora. Além de Marcola e Paloma, foram alvos da operação Everton de Souza (“Player”), Alejandro Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho.

Prisão preventiva e riscos de fuga

A Justiça decretou a prisão preventiva de Deolane devido ao risco de fuga. Ela havia retornado ao Brasil na véspera da operação após passar semanas na Europa. Integrantes da família de Marcola haviam deixado o país durante as investigações, e o nome de Deolane foi incluído na Difusão Vermelha da Interpol.

Esta é a segunda prisão da influenciadora em menos de dois anos. Em 2025, ela já havia sido alvo de investigação da Polícia Civil de Pernambuco por lavagem de dinheiro relacionada a empresas de apostas online, com investimentos de mais de R$ 65 milhões em carros e imóveis de luxo.

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Classificação da polícia

Em relatório obtido pela TV Globo, a Polícia Civil classifica Deolane como integrante do PCC, com papel “central” na estrutura financeira da facção. O documento afirma: “Deolane Bezerra dos Santos é hoje uma das mais importantes pessoas integrantes do vasto e diferenciado esquema de lavagem de capitais gerido pela organização criminosa.” Apesar disso, ela não teria sido “batizada” formalmente na facção e não possuiria apelido dentro do PCC.