STM julga recurso de Bolsonaro contra ministro em caso de perda de patente
STM julga recurso de Bolsonaro contra ministro

O Superior Tribunal Militar (STM) analisa nesta quarta-feira (25) um recurso apresentado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro contra a participação do ministro Joseli Parente Camelo no processo que poderá resultar na perda de sua patente de capitão reformado do Exército. O pedido será examinado pelo plenário do tribunal.

Defesa alega parcialidade

A defesa de Bolsonaro sustenta que declarações públicas feitas pelo ministro sobre a responsabilização de militares envolvidos nos atos de 8 de janeiro comprometem sua imparcialidade. A controvérsia surgiu após a presidente do STM, ministra Maria Elizabeth Rocha, rejeitar o pedido de suspeição apresentado pelos advogados. Inconformada com a decisão monocrática, a defesa recorreu ao colegiado, que decidirá se Camelo permanece no julgamento.

O que está em discussão

O processo no STM foi aberto após a condenação de Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no caso da tentativa de golpe de Estado. A ação militar não revisa a condenação criminal nem a pena aplicada pelo Supremo. A análise da Corte Militar está restrita aos efeitos da condenação sobre a condição de oficial do Exército. Pela legislação, militares condenados podem ser submetidos a um procedimento específico para avaliar se continuam aptos a integrar o oficialato. Caso a maioria dos ministros conclua que Bolsonaro é indigno ou incompatível com a carreira militar, ele poderá perder a patente de capitão reformado.

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Argumento da defesa

Os advogados citam uma entrevista concedida por Joseli Parente Camelo em fevereiro de 2023. Na ocasião, ao comentar a possibilidade de casos relacionados aos atos extremistas chegarem ao STM, o ministro afirmou que "eventuais envolvidos seriam punidos caso ficasse comprovada a prática de crimes". Para a defesa, a manifestação anteciparia um entendimento sobre situações semelhantes à enfrentada atualmente pelo ex-presidente. Maria Elizabeth Rocha, porém, entendeu que a declaração não configura hipótese legal de suspeição e decidiu manter o ministro no processo. O plenário agora dará a palavra final sobre o tema.

Semana decisiva para Bolsonaro

O julgamento ocorre em meio a uma semana de decisões relevantes para o ex-presidente. Além da análise no STM, Bolsonaro aguarda uma definição do ministro Alexandre de Moraes sobre sua prisão domiciliar humanitária. O prazo inicial de 90 dias concedido pelo STF termina nesta quarta-feira (25), e a Corte ainda não decidiu se o benefício será prorrogado. Também nesta terça-feira, o ex-presidente prestou depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal no inquérito que investiga a apreensão de uma arma registrada em seu nome durante uma blitz realizada em Brasília.

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