Sociólogo que interpretou Jesus no Auto da Paixão é preso por injúria racial no ES
Sociólogo preso por injúria racial no ES após ofensas

Preso por injúria racial e ameaça

Um homem de 47 anos, identificado como Roberto Ferrante, foi preso em flagrante neste domingo (12) por injúria racial e ameaça contra um funcionário público de 40 anos, na Avenida Anísio Fernandes Coelho, conhecida como Rua da Lama, em Vitória, Espírito Santo. Ferrante é sociólogo e interpretou Jesus Cristo no Auto da Paixão na capital por mais de 15 anos.

Vídeos feitos pela vítima mostram o suspeito proferindo xingamentos, dizendo que iria nocautear o jovem e chamando-o de "preto, negro e burro". Em um dos vídeos, Ferrante afirma: "Você é preto, negro e fora isso é um burro. Onde tem racismo aí? É a sua raça seu m*. Se você fosse um negro que tivesse orgulho, você daria a palma da sua mão pra ser escura também".

Perseguição com faca e agressões

Segundo a Polícia Militar, uma faca foi encontrada e apreendida com o suspeito. Testemunhas relataram que ele usou o objeto para perseguir a vítima e ameaçar outras pessoas no local. O caso começou quando a vítima presenciou Ferrante importunando uma pessoa LGBTQIAPN+ em uma fila de posto de gasolina. Ao intervir, o funcionário público passou a ser alvo das ofensas.

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"Eu pedi para ele parar e ele colocou a mão no meu ombro. Eu falei para ele não fazer isso, porque eu não gostava e ficava nervoso, e aí ele falou: 'não pode colocar a mão no ombro do macaco?'", relatou a vítima, que não quis se identificar. O homem também afirmou que Ferrante arremessou uma garrafa e uma cadeira em sua direção e o perseguiu com uma faca, causando uma lesão muscular durante a fuga.

Duração das agressões e prisão

As agressões físicas e verbais duraram aproximadamente 40 minutos. A Guarda Civil Municipal de Vitória foi acionada, abordou o suspeito e o levou algemado, junto com a vítima, para a Delegacia Regional. A Polícia Civil informou que Ferrante foi autuado em flagrante por injúria racial e ameaça, sendo encaminhado ao Centro de Triagem no Complexo Penitenciário Rodrigo Figueiredo da Rosa, onde permanece preso.

De acordo com a Secretaria da Justiça, o sociólogo já possuía passagem pelo crime de dano e havia sido solto em janeiro de 2024. Durante a confusão, testemunhas ouviram Ferrante dizer que era professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), mas a instituição negou a informação.

Reação da vítima e desfecho

O funcionário público afirmou que pretende acompanhar o caso judicialmente. "Infelizmente, eu estou chateado, mas não surpreso, pois já sofri racismo muitas vezes, mas não dessa forma tão violenta. Espero que ele fique preso e seja exemplo de que racismo e transfobia não têm mais vez no nosso país", lamentou. O g1 não conseguiu localizar a defesa de Roberto até a publicação desta reportagem.

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