A Polícia Federal (PF) concluiu o inquérito da Operação Rejeito e indiciou 34 pessoas suspeitas de integrar um esquema bilionário de fraudes em licenças ambientais e exploração mineral irregular em Minas Gerais. O documento, obtido pelo g1 nesta sexta-feira (26), revela que o grupo atuava de forma organizada para viabilizar projetos de mineração em áreas protegidas, como a Serra do Curral, em Belo Horizonte, e a Serra do Botafogo, em Ouro Preto.
Estrutura do esquema
Segundo as investigações, iniciadas em 2023, o grupo era dividido em núcleos com funções específicas: lideranças estratégicas, setor financeiro, operacional e de articulação com órgãos públicos. A organização utilizava influência política, pagamento de propina e manipulação de documentos técnicos para obter licenças ambientais de forma irregular, acelerar processos e contornar exigências legais. Mais de 40 empresas teriam sido criadas ou usadas para ocultar os verdadeiros beneficiários e dificultar o rastreamento do dinheiro.
Impacto ambiental e financeiro
A PF estima que o esquema movimentou mais de R$ 4 bilhões e tinha potencial de gerar até R$ 8 bilhões em novos projetos. As investigações apontam que atividades minerárias foram realizadas sem licença ou com base em documentos falsos, inclusive em locais tombados e protegidos por lei. Também foram identificadas tentativas de alterar regras administrativas e legislações para viabilizar os empreendimentos.
Casos investigados
Entre os projetos citados no relatório estão: Projeto Taquaril, voltado à exploração na Serra do Curral; Projeto Rancho do Boi, com suspeitas de fraude documental e irregularidades em licenciamento; Mina Patrimônio, em Ouro Preto, onde houve início de atividades sem autorização completa e destruição de cavidade natural; e UTM Fleurs Global, apontada como central para beneficiamento de minério de origem irregular. As investigações indicam que esses projetos estavam interligados para manter o fluxo de minério e ampliar os lucros do grupo.
Indiciamentos
Os 34 investigados incluem empresários, operadores financeiros, consultores, funcionários públicos ou ex-servidores de órgãos ambientais, como a Agência Nacional de Mineração (ANM), Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM) e Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam). A PF ressalta que o indiciamento não significa condenação, mas indica indícios suficientes de autoria e materialidade para levar o caso ao Ministério Público.
Próximos passos
O relatório final foi encaminhado à Justiça Federal em Belo Horizonte. Caberá ao Ministério Público Federal avaliar se apresenta denúncia contra os investigados. A operação é considerada uma das mais complexas já realizadas no estado na área ambiental, pela quantidade de envolvidos, volume de recursos e extensão dos danos investigados.



