O pastor Márcio Poncio deixou neste domingo (12) o Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, conhecido como Bangu 8, no Complexo Penitenciário de Gericinó, e retornou para casa. A saída ocorreu no final da tarde, conforme informou a Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen). A liberação foi possível após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), converter, no sábado (11), a prisão preventiva do empresário em prisão domiciliar. A decisão impõe medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.
Contexto da prisão e investigação
Márcio Poncio foi preso no dia 2 de janeiro pela Polícia Federal (PF) durante a 5ª fase da Operação Unha e Carne. Também foram alvos de mandados de prisão o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, que já estavam detidos. A investigação apura um esquema de pagamentos do jogo do bicho e da chamada "Máfia do Cigarro" a agentes públicos.
Motivos da prisão domiciliar
Moraes justificou a substituição da prisão preventiva por domiciliar com base no estado de saúde de Márcio Poncio, que sofre de retocolite ulcerativa grave, passou por cirurgia para retirada do intestino grosso e do reto e necessita de tratamento contínuo. O ministro também considerou a gravidez de alto risco da esposa do investigado. Na ocasião da prisão, agentes da PF localizaram Poncio em um flat na Praia da Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio.
Perfil do investigado
Pastor da Igreja da Nuvem e empresário, Márcio Poncio é pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) e do cantor Saulo Poncio, ex-integrante da dupla UM44K. Além do monitoramento eletrônico, Moraes proibiu o pastor de manter contato, por qualquer meio, com os demais investigados e de utilizar redes sociais. A decisão também determina a suspensão imediata de eventuais documentos de porte de arma de fogo em seu nome e a entrega dos passaportes.
Investigação da Operação Unha e Carne
Segundo apuração do g1, Poncio é investigado por suspeita de ligação com a "Máfia do Cigarro". Já Adilsinho, apontado como uma das principais lideranças do jogo do bicho no estado, é investigado como chefe da organização criminosa. De acordo com a Polícia Federal, esta fase da Operação Unha e Carne busca aprofundar a apuração de indícios de lavagem de dinheiro praticada pela nova cúpula do jogo do bicho e de possíveis ramificações do esquema junto a integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do Rio de Janeiro.
Planilhas e políticos investigados
A 5ª fase da Unha e Carne derivou da Operação Fumus, de junho de 2021, que mirava o monopólio de cigarros no Grande Rio. Adilsinho era alvo, mas não foi encontrado. Na ocasião, a PF encontrou planilhas com "supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de capitais". "As listas chamaram a atenção dos investigadores por possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do RJ", explicou a PF. A TV Globo apurou que pelo menos 20 políticos são investigados por receber mesada de Adilsinho. Adilsinho só foi preso quase 5 anos depois, em fevereiro deste ano, em Cabo Frio. Um monitoramento por drones confirmou onde o contraventor estava. Em abril, o ministro Gilmar Mendes, do STF, afirmou que ouviu de um diretor da Polícia Federal relatos de que mais de 30 deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro recebiam mesadas do jogo do bicho.



