Nove advogados são presos durante operação contra facções criminosas na Bahia
A Operação Sintonia de Gravata, deflagrada nesta sexta-feira (3), resultou na prisão de nove advogados e 12 detentos já custodiados, além do cumprimento de 15 mandados de busca e apreensão. A ação visa desarticular um esquema que envolve facções com atuação no sistema prisional da Bahia, investigando tráfico de drogas, aquisição e circulação de armas de fogo, e a articulação entre integrantes presos e em liberdade.
Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Eunápolis e executados nos municípios de Salvador, Lauro de Freitas, Camaçari, Feira de Santana, Serrinha e Barreiras. A TV Bahia apurou que os advogados presos atuavam em favor de líderes de facções como Comando Vermelho (CV), Bonde do Maluco (BDM) e Terceiro Comando Puro (TCP). Até o momento, eles não possuem defesa constituída no processo.
Advogados atuavam como elo entre facções e presos
Segundo as investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do Ministério Público da Bahia, os advogados exerciam papel estratégico na transmissão de mensagens e ordens entre lideranças presas e membros em liberdade. Eles burlavam o isolamento imposto em presídios de segurança máxima, utilizando prerrogativas da classe para viabilizar a gestão das facções criminosas.
Os promotores destacaram que as organizações mantinham um sofisticado esquema de comunicação clandestina, com um núcleo externo responsável por intermediar ordens. Esse fluxo permitia que líderes presos participassem ativamente do tráfico de drogas, comercialização de armas, movimentação financeira e resolução de conflitos internos, evidenciando uma estrutura hierarquizada e dividida por funções.
Suspeitos e suas ligações com facções
A TV Bahia identificou os advogados presos e suas supostas ligações: Maria Tereza Novaes Martins atuaria para Victor de Freitas Silva, o "Da Jega", chefe do CV em Feira de Santana; Izabela da Silva de Oliveira para Averaldo Ferreira da Silva Filho, o "Averaldinho", líder do BDM em Salvador; Luan Mascarenhas de Souza para Francisleno de Jesus Nunes; Icaro Cardoso Viana para Gleidson Bomfim do Nascimento, Ademilton Mercês Alves e Délcio Douglas Silva Oliveira; Luã Santos da Costa para Leandro da Conceição Santos Fonseca, o "Léo Gringo", chefe do BDM, e Wesley Willian Alves dos Santos; Fernanda Oliveira Borges para Marlos Araújo Souza Junior, o "Bolão", do TCP em Senhor do Bonfim; Tamires Felix Alves Silva para Décio Douglas Silva Oliveira, o "Vaqueiro", chefe do BDM; Maria Mariana Batista de Oliveira para Fábio Santana Oliveira, o "Panda", chefe do CV em Capim Grosso, José Lucas Silva Rocha, o "Índio", do CV em Eunápolis, e Victor de Freitas Silva; e Raiza da Silva, cuja atuação ainda é apurada.
Bens bloqueados e materiais apreendidos
A Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) determinou a indisponibilidade de ativos financeiros dos investigados até o limite de R$ 10 milhões, além do bloqueio de veículos, imóveis, embarcações e aeronaves. Durante as buscas, foram apreendidos notebooks, celulares e documentos que podem aprofundar as investigações e identificar outros envolvidos.
Mobilização nacional e participação de mais de 100 profissionais
A Operação Sintonia de Gravata integra uma mobilização nacional coordenada pelo Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), do Ministério Público brasileiro. Mais de 100 profissionais participaram da ação, incluindo promotores, servidores e policiais do Gaeco, do Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), do Departamento de Polícia do Interior (Depin), da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) e da SSP.
Posicionamento da OAB Bahia
A OAB Bahia informou que acompanhou o cumprimento dos mandados por meio da comissão de direitos e prerrogativas. A presidente da seccional, Daniela Borges, determinou que a procuradoria jurídica solicite acesso aos autos do inquérito ao Tribunal de Justiça. Após análise, o material será encaminhado ao Tribunal de Ética e Disciplina (TED) para eventuais medidas, incluindo suspensão preventiva dos advogados. A Ordem afirmou que presta suporte para garantir o acesso aos autos pelos advogados constituídos, respeitando o contraditório e a ampla defesa.



