O motorista Antônio Pereira do Nascimento, que ficou conhecido nacionalmente após devolver R$ 131,8 milhões depositados por engano em sua conta, revelou que, caso receba algum valor no processo que move contra o banco, deve reformar sua casa e comprar uma van nova para trabalhar. Ele mantém a rotina de trabalho e afirma que as pessoas ainda o relembram do ocorrido em tom de cobrança.
Ação judicial pede recompensa milionária
Antônio move uma ação contra o banco, em que sua defesa pede o pagamento de 10% do valor devolvido (mais de R$ 13 milhões) como direito de recompensa, fundamentado no Código Civil, além de R$ 150 mil por danos morais devido a transtornos emocionais e cobranças indevidas. Segundo o processo, o motorista teve sua conta elevada à categoria "VIP" indevidamente durante um período após o depósito, o que gerou cobranças de taxas superiores às que ele pagava habitualmente.
Planos modestos para o futuro
De forma pouco ambiciosa, Antônio contou o que pretende fazer se receber algum valor do banco. "Ia reformar minha casa e comprar uma van para mim, que eu estou sem veículo. Trabalho de motorista, e comprava uma van nova. Eu precisando comprar e não comprei nada, não gastei nem um real", explicou.
Ele mantém a rotina de trabalho que tinha antes do episódio e afirmou que as pessoas ainda o relembram do ocorrido em tom de cobrança. "De vez em quando eu estou num lugar e o cara fala: 'Ei, e aí o dinheiro?'. Rapaz eu já tinha até esquecido disso", brincou.
Tentativas de golpe e fraudes
Antônio chegou a ser alvo de tentativas de golpe por pessoas que se passavam por seus advogados para tentar cobrar taxas inexistentes sobre o processo. "Quando me cobrou dinheiro, eu vi que era fraude. Disse que tinha saído já [o resultado] lá, mas foi mentira. Pagar taxa? O advogado não cobrou taxa nenhuma minha, nadinha, foi de graça", relatou.
Relembre o caso do depósito milionário
Antônio Pereira do Nascimento foi surpreendido ao consultar seu saldo bancário e encontrar o valor de R$ 131.870.227,00 em sua conta corrente. Na época, o motorista, que possuía apenas R$ 227 antes do erro, ficou "milionário" por cerca de sete horas. Ao perceber a transferência feita por engano pelo banco Bradesco, ele procurou a instituição imediatamente para devolver a quantia, afirmando que nunca pensou em ficar com o que não era seu.
Em julho de 2024, o motorista entrou com uma ação judicial contra o banco Bradesco. Conforme foi apurado na época, o erro foi do próprio banco, que deveria fazer a transferência para outra instituição. Por isso, a ação pede um pagamento e R$ 13.187.022,00 (10% do valor total), por direito de recompensa e mais R$ 150 mil de indenização por danos morais.
Andamento do processo
O Bradesco foi questionado sobre o processo e informou que não comenta caso sub judice. No processo, Antônio pede o pagamento de aproximadamente R$ 13 milhões, além de R$ 150 mil por danos morais, citando o assédio sofrido e o abalo emocional decorrente da exposição e das cobranças indevidas. Atualmente, o processo tramita na 6ª Vara Cível de Palmas e está na fase de decisão final. Em março de 2026, a Justiça decidiu dispensar o depoimento de testemunhas por entender que os documentos e fatos já apresentados são suficientes para o julgamento antecipado da lide.



