O médico Rodrigo Felipe Amparado e sua esposa, identificada apenas como Maiara, tornaram-se réus no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) após denúncia do Ministério Público do Paraná (MP-PR). Eles são acusados de montar um quarto particular em um centro cirúrgico desativado do Hospital Municipal de Itaúna do Sul, no Noroeste do estado, e de ameaçar funcionários que se opunham ao médico. Rodrigo responde por ameaça, dano emocional à mulher, perseguição, tortura e peculato; Maiara, por peculato, prevaricação e tortura. A Justiça determinou o afastamento dela do cargo de coordenadora de enfermagem e a proibição de acessar o hospital ou contatar funcionários e testemunhas.
Investigação e denúncias
A investigação começou após o MP receber denúncias de servidores municipais sobre a apropriação do cômodo e as ameaças. Entre março e maio de 2026, testemunhas relataram que a rotina no trabalho era como um “filme de terror”. A promotora Marina Campos Corrêa afirmou à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, que os acusados ameaçavam “todas as pessoas que contrariavam” o médico. “Foi verificado ao longo do tempo que todas as pessoas que contrariavam ele de alguma forma, ou eram ameaçadas, ou eram perseguidas, e todo mundo tinha realmente muito medo dele”, disse a promotora. Segundo o MP, Rodrigo chegou a ameaçar torturar a filha e matar o marido da secretária municipal de Saúde.
Quarto montado em centro cirúrgico
Rodrigo transformou uma sala de centro cirúrgico desativada em um quarto, com cama, guarda-roupas e televisão, enquanto os demais médicos usavam uma sala compartilhada. Foram encontrados itens pessoais como camisetas, cobertores, uma toalha com o nome dele bordado e um massageador. O médico é concursado em Itaúna do Sul e também atende no hospital municipal de Nova Londrina, onde não há registros de irregularidades.
Prisão e reações
Rodrigo foi preso preventivamente em 17 de junho e permanece detido. O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) informou que determinou fiscalização na instituição e que casos de infração ao Código de Ética Médica são analisados em sindicância sigilosa. A Prefeitura de Itaúna do Sul afirmou que acompanha a investigação e adota providências administrativas, mas não se manifestou sobre o mérito das acusações devido ao segredo de Justiça.
Defesa do casal
O advogado Manoel Neto, que defende Rodrigo e Maiara, disse que as acusações são baseadas em “elementos frágeis e contraditórios” e que pediu a revogação da prisão preventiva. Em nota, afirmou que demonstrará a inconsistência das imputações no curso do processo. O g1 procurou a defesa novamente, mas não obteve retorno até a última atualização.



