O médico Rodrigo Felipe Amparado, de 50 anos, está preso preventivamente desde o dia 17 de junho, acusado de montar um quarto em um centro cirúrgico desativado do Hospital Municipal de Itaúna do Sul, no noroeste do Paraná. Ele é réu por ameaça, dano emocional à mulher, perseguição, tortura e peculato. A esposa, identificada apenas como Maiara, que atuava como coordenadora de enfermagem, também foi denunciada pelos crimes de peculato, prevaricação e omissão e responde em liberdade.
Investigação do Ministério Público
A investigação começou após o Ministério Público do Paraná (MP-PR) receber denúncias de servidores sobre irregularidades ocorridas entre março e maio de 2026. Segundo o MP, Rodrigo criou "um ambiente de constantes arbitrariedades" no hospital. Um servidor comparou a rotina de trabalho com o médico a um "filme de terror". A secretária municipal de Saúde iniciou medidas para corrigir as irregularidades, mas o médico passou a persegui-la e a seus familiares. O MP afirma que ele ameaçou torturar a filha da secretária e matar seu marido, chegando a exibir uma arma de fogo na cintura.
Quarto montado em centro cirúrgico
Rodrigo é suspeito de se apropriar de um centro cirúrgico desativado para montar um quarto com móveis e itens pessoais, onde dormia com a esposa durante os plantões, enquanto outros médicos usavam uma sala compartilhada. A Justiça determinou o afastamento de Maiara do cargo de coordenadora de enfermagem e proibiu seu contato com funcionários e testemunhas.
Formação e carreira do médico
Rodrigo formou-se em medicina pela Universidade de Vassouras, no Rio de Janeiro, em 2004, e não possui especialidade registrada no Conselho Federal de Medicina. Foi nomeado para o hospital municipal de Itaúna do Sul em março de 2023, após concurso que exigia conhecimento em saúde da mulher, doenças crônico-degenerativas e saúde do idoso. Em Nova Londrina, também realiza atendimentos desde 2019.
Defesa do casal
A defesa do casal, representada pelo advogado Manoel Neto, afirmou que as acusações são "extremamente graves" e baseadas em "elementos frágeis e contraditórios". A defesa aguarda a decisão sobre o pedido de revogação da prisão preventiva de Rodrigo e declarou que provará "a inconsistência das imputações formuladas". O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) determinou fiscalização na unidade de saúde, e a Prefeitura de Itaúna do Sul disse que colabora com as autoridades.



