Nova lei dobra prazo para denúncia de violência doméstica
Lei dobra prazo para denúncia de violência doméstica

Foi sancionada a lei que amplia de 6 para 12 meses o prazo para que vítimas de crimes cometidos no contexto de violência doméstica possam apresentar representação criminal. A medida, que dobra o prazo decadencial, busca alinhar a legislação à realidade enfrentada por milhares de mulheres no Brasil, reconhecendo que o tempo da vítima nem sempre coincide com o tempo dos códigos legais.

Crimes abrangidos e contexto

A nova regra se aplica a delitos que dependem da manifestação da vítima para o início da persecução penal, como perseguição, calúnia, difamação e injúria. A alteração parte da constatação de que a principal dificuldade de uma mulher vítima de violência doméstica raramente é identificar o agressor, mas sim reunir condições para enfrentá-lo.

Especialistas apontam que a denúncia muitas vezes é precedida por um longo processo de amadurecimento, influenciado por fatores como medo de represálias, dependência econômica, vínculos afetivos, filhos em comum, vergonha e descrença nas instituições. Exigir que essa decisão fosse tomada em seis meses significava ignorar a natureza extraordinária do problema.

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Contraste com medidas punitivistas

A ampliação do prazo contrasta com propostas que focam apenas no endurecimento de penas, como a recente lei em Honduras, que elevou para até 60 anos as penas por feminicídio. Organizações de defesa dos direitos das mulheres receberam a medida com ressalvas, alertando para a necessidade de fortalecer mecanismos de prevenção, proteção e acolhimento. O episódio ilustra que a proteção efetiva das mulheres exige soluções legais mais sutis e sofisticadas do que o simples agravamento de penas.

Impacto esperado

A nova lei não promete resolver sozinha a tragédia social da violência doméstica, mas remove um obstáculo concreto enfrentado por muitas mulheres. Segundo especialistas, remover barreiras práticas é mais eficaz do que apostar em medidas que geram apenas repercussão política. A mudança segue o caminho de facilitar o acesso à Justiça, em vez de concentrar esforços apenas na punição após o fato consumado.

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