Uma família denuncia negligência médica após Maria Graciana Andrade Alves, de 36 anos e grávida de 41 semanas, morrer durante o parto no Hospital Regional de Samambaia, no Distrito Federal, na sexta-feira (12). A bebê permanece internada na UTI do hospital em estado grave. Segundo os familiares, a equipe médica insistiu no parto normal por horas, apesar de a paciente informar que não tinha condições para esse tipo de procedimento. A cesariana só foi realizada após a bebê apresentar sinais de sofrimento fetal. Maria sofreu hemorragia grave, teve o útero retirado e sofreu cinco paradas cardiorrespiratórias, vindo a falecer na UTI.
Detalhes do caso
De acordo com parentes, Maria Graciana deu entrada no hospital na manhã de quinta-feira (9) com a bolsa rompida, mas sem dilatação e sem contrações. Apesar de a paciente afirmar que não tinha condições para um parto normal, a equipe médica manteve a tentativa do procedimento por várias horas e demorou a indicar a indução do parto. Durante a espera, o bebê apresentou sinais de sofrimento fetal, com queda dos batimentos cardíacos, o que levou à realização de uma cesariana de emergência na madrugada de sexta-feira (10).
Durante a cirurgia, Maria Graciana sofreu uma hemorragia grave, precisou passar por uma histerectomia (retirada do útero), teve cinco paradas cardiorrespiratórias e morreu na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A recém-nascida também apresentou complicações: nasceu sem respirar, foi reanimada e internada na UTI neonatal. A família afirma que a criança necessita de transferência para o Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB), unidade com maior suporte, e que ainda aguarda uma vaga.
Falta de informações e denúncias anteriores
Os familiares também denunciam falta de informações por parte da equipe médica. Eles afirmam que, durante toda a madrugada, não receberam atualizações sobre o estado de saúde de Maria Graciana. A morte só foi comunicada pela manhã, por uma psicóloga da unidade, após parentes e integrantes da igreja da família se reunirem na recepção do hospital em busca de informações. Nenhum integrante da equipe médica prestou esclarecimentos técnicos sobre o atendimento ou informou quem estava de plantão.
Nos últimos quatro anos, pelo menos quatro famílias denunciaram negligência no Hospital de Samambaia em casos envolvendo gestantes e bebês. Em 2022, Mariana Cardoso Vieira, de 37 anos, e sua filha Luíza Vitória morreram durante o parto. Em 2023, Chayene da Silva, de 19 anos, perdeu o bebê e esperou quatro dias internada com o filho morto na barriga. Em 2024, um bebê morreu após a mãe, Bruna Martins, ficar 30 horas em trabalho de parto à espera de atendimento. Também em 2024, Tairine, de 30 anos e grávida de dois meses, morreu após tentar atendimento em três hospitais, incluindo o Hospital de Samambaia.
Posição da Secretaria de Saúde
A Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal afirmou em nota que "o caso está sendo apurado com rigor. Caso sejam constatadas falhas na assistência ou qualquer indício de negligência, todas as medidas administrativas e disciplinares cabíveis serão adotadas, com a devida responsabilização dos envolvidos." A pasta também informou que não pode fornecer dados do prontuário devido ao sigilo, citando o Código de Ética Médica que veda a referência a casos clínicos identificáveis.



