Ex-bispo de Catanduva vira réu por importunação sexual contra padre
Ex-bispo de Catanduva é réu por importunação sexual

A Justiça de São Paulo aceitou, na terça-feira (30), a denúncia do Ministério Público contra o ex-bispo de Catanduva (SP), Dom Valdir Mamede, que agora responde como réu por importunação sexual. O religioso é acusado de praticar abusos sexuais reiterados contra um padre entre 2019 e 2023, aproveitando-se da hierarquia e influência religiosa.

Denúncia do MP-SP detalha quatro episódios de abuso

De acordo com a denúncia, obtida pelo g1 nesta sexta-feira (3), o ex-bispo teria utilizado sua posição de autoridade para constranger a vítima, um padre da paróquia em Ibirá (SP), subordinada à Diocese de Catanduva. O MP-SP descreve quatro episódios criminosos: relação de hierarquia com ameaças de punições canônicas; pedido para que a vítima depilasse seu corpo, ficando nu; ligações de vídeo em que se masturbava; e um episódio em que, alcoolizado, foi até a casa do padre, deitou-se nu e se masturbou.

O boletim de ocorrência foi registrado pelo padre em 22 de março de 2024. Conforme o MP, os abusos ocorreram de forma continuada por cerca de cinco anos. O promotor Caíque Ducatti afirmou que "os elementos reunidos indicam que o denunciado se aproveitou da posição de liderança religiosa para manter a vítima em vulnerabilidade psicológica".

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Provas incluem material biológico e conversas por aplicativo

A vítima recolheu material biológico deixado em um lençol após o último episódio, e o laudo pericial confirmou tratar-se de material masculino. Em 2024, o g1 divulgou prints de conversas por aplicativo em que o ex-bispo pedia para ser depilado pela vítima. O MP também requereu indenização mínima de R$ 300 mil por danos morais. Devido aos danos psicológicos, o padre está afastado da Igreja por licença médica. A Promotoria ainda menciona depoimentos sobre condutas semelhantes envolvendo outros seminaristas.

Medidas cautelares e segredo de Justiça

A 2ª Vara Criminal de Catanduva determinou que o processo tramite em segredo de Justiça. O MP solicitou medidas cautelares, como proibição de contato com a vítima, entrega do passaporte e proibição de frequentar a Diocese de Catanduva e a paróquia em Ibirá. O ex-bispo renunciou ao cargo em novembro de 2023 sem justificativa. O g1 tenta contato com a defesa do ex-bispo; a Diocese de Catanduva não retornou até a última atualização.

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