Mãe que matou crianças com ovo de Páscoa envenenado é condenada a 66 anos
Condenada a 66 anos por matar crianças com ovo envenenado

O Tribunal do Júri da 3ª Vara Criminal de Imperatriz, no Maranhão, condenou Jordélia Pereira Barbosa a 66 anos, 8 meses e 7 dias de prisão em regime fechado pela morte de duas crianças e pela tentativa de homicídio da mãe delas. As vítimas foram Luiz Fernando Rocha Silva, de 7 anos, e Evillyn Fernanda Rocha Silva, de 13 anos, que morreram após consumir um ovo de Páscoa envenenado com chumbinho. A mãe, Mírian Lira, sobreviveu após ficar internada em UTI.

Crime motivado por ciúmes e vingança

Segundo o Ministério Público do Maranhão (MPMA), o crime foi motivado por ciúmes e vingança. Jordélia era ex-namorada do então companheiro de Mirian. O crime ocorreu em abril de 2025, em Imperatriz. O Conselho de Sentença reconheceu que a acusada cometeu três crimes: duplo homicídio qualificado (pelas mortes das crianças) e tentativa de homicídio qualificado (contra a mãe).

Qualificadoras que aumentaram a pena

Os crimes foram considerados qualificados por quatro fatores: motivo torpe (ciúmes e vingança), uso de veneno (chumbinho), dissimulação (envio do doce como presente) e vítimas menores de 14 anos (no caso das crianças). A tentativa de homicídio contra a mãe foi triplamente qualificada, enquanto os homicídios das crianças foram quadruplamente qualificados. Os jurados entenderam que a acusada assumiu o risco de matar as crianças ao enviar o alimento envenenado para a residência.

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Dosimetria da pena

A pena foi individualizada: 14 anos, 9 meses e 25 dias pela tentativa de homicídio contra Mirian; 25 anos, 11 meses e 6 dias pela morte de Luiz Fernando; e 25 anos, 11 meses e 6 dias pela morte de Evellyn. Como os crimes foram considerados com desígnios autônomos, as penas foram somadas, totalizando 66 anos, 8 meses e 7 dias.

Possibilidade de redução da pena

Apesar da condenação elevada, a advogada criminalista Beatriz Coimbra explica que a legislação brasileira prevê mecanismos que podem reduzir o tempo de prisão: progressão de regime, detração penal e remição de pena. Em crimes hediondos com morte, a progressão pode ocorrer após o cumprimento da metade da pena. "Mesmo com uma condenação alta, isso não significa que a pessoa ficará todo esse período em regime fechado", afirmou Coimbra. A defesa pode recorrer pedindo novo julgamento, questionando a dosimetria ou afastando qualificadoras.

Indenização às vítimas

A decisão fixou indenização por danos morais: Mírian Lira Rocha receberá 100 salários mínimos (cerca de R$ 162,1 mil). Os pais das crianças, Mirian Lira e Antônio Alves Barbosa Filho, receberão juntos 400 salários mínimos (aproximadamente R$ 648,4 mil).

Detalhes do crime

Jordélia foi presa em abril de 2025. As investigações apontaram que ela viajou de Santa Inês a Imperatriz, hospedou-se em hotel com nome falso e contratou um motoboy para entregar o ovo envenenado, acompanhado de um bilhete: "Com amor para Mirian Lira. Feliz Páscoa!!!". Com ela, foram encontradas perucas, restos de chocolate e um bilhete de ônibus. Em depoimento, Jordélia admitiu ter comprado o ovo, mas negou o envenenamento, atribuindo a culpa a terceiros, versão considerada infundada pela Justiça.

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