O programa Fantástico exibiu vídeos da discussão que resultou na anulação do júri dos três policiais militares acusados de executar o delator Antônio Vinícius Gritzbach. O momento de maior tensão ocorreu quando um promotor questionou um oficial da Corregedoria da Polícia Militar sobre um suposto atentado contra Mauro Ribas, advogado de defesa, investigação sem relação direta com o assassinato de Gritzbach.
Discussão acalorada no plenário
Em depoimento à Polícia Civil em 2025, Ribas foi questionado sobre possível ligação com o caso Gritzbach. "Eu não vou querer imputar isso a alguém, porque eu não tenho elemento nenhum, mas é o que vem na mente", afirmou na época. Durante o interrogatório, o promotor disse: "O Dr. Mauro Ribas anuncia, não nos autos, mas na imprensa, que foi vítima de um atentado praticado pelo que ele diz serem os verdadeiros assassinos". Ribas interrompeu e rebateu: "Eu nunca disse isso!". O promotor respondeu: "Falou! Seja homem!".
A declaração provocou um bate-boca entre acusação e defesa. Um advogado passou a discutir com o promotor: "Respeita a advocacia, rapaz. Vamos embora", afirmou. Após a troca de acusações, advogados deixaram o plenário. Diante da saída da defesa, o juiz decidiu anular o julgamento. O Ministério Público pediu a punição dos advogados, mas o magistrado rejeitou o pedido ao entender que a acusação imputou fraude a um dos defensores durante a sessão.
Defesa se manifesta
Ao Fantástico, Mauro Ribas comentou o episódio: "Eu nunca fui ouvido na Corregedoria sobre isso. Do nada, o promotor pergunta para ele", afirmou. O clima de confronto já vinha desde o início do júri, com sucessivos conflitos entre acusação e defesa. Os advogados questionaram encontros do promotor com um perito responsável pela coleta das provas de DNA usadas na investigação. Em outro momento, houve troca de ofensas após o Ministério Público afirmar que a defesa pretendia "combinar" novamente o depoimento de uma testemunha, acusação rebatida imediatamente pelos advogados.
Embates sobre provas genéticas
Também houve embates quando a defesa contestou a validade dos exames genéticos que apontam dois dos policiais como possíveis atiradores e o terceiro como motorista do veículo usado no crime. Os réus negam participação no assassinato e sustentam que a investigação ignorou outras linhas de apuração.
Novo julgamento marcado
Com a anulação, todo o julgamento terá de ser refeito. Os três policiais militares continuam respondendo pela morte de Antônio Vinícius Gritzbach, executado com 27 disparos de fuzil quando desembarcava no aeroporto de Guarulhos. O ataque também matou um motorista de aplicativo e deixou outras pessoas feridas. O novo Tribunal do Júri foi marcado para 22 de fevereiro de 2027.



