O navio histórico Professor W. Besnard, que afundou parcialmente no Porto de Santos em março, retornou à superfície após três meses. A embarcação, que levou as primeiras equipes de pesquisa brasileiras à Antártica, poderá ser recuperada integralmente ou ter parte de sua estrutura preservada. As informações foram divulgadas nesta quarta-feira (17) pelo presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini.
Processo de reflutuação
O Professor W. Besnard afundou parcialmente no dia 13 de março, no cais do Valongo, durante fortes chuvas que provocaram a entrada de água na embarcação. Na ocasião, o navio passava por reformas para ser transferido ao Instituto do Mar (Imar), após ter sido doado pela Universidade de São Paulo (USP).
Após o incidente, a APS contratou emergencialmente a empresa Marfort Serviços Marítimos por R$ 8,6 milhões para executar a operação de retirada. O contrato inclui ações de mergulho, segurança operacional, contenção de poluição, reflutuação e posterior docagem em estaleiro.
Futuro da embarcação
O presidente da APS explicou que, antes de definir o destino do navio, será realizada uma perícia para determinar se a recuperação total é viável técnica e financeiramente. Independentemente do resultado, o Professor W. Besnard receberá uma homenagem permanente no Parque Valongo.
Caso a recuperação integral não seja considerada viável, parte da estrutura poderá ser preservada e incorporada ao espaço como forma de valorizar a história da embarcação, considerada um marco da pesquisa oceanográfica brasileira.
História do navio
Construído em 1966 por encomenda do Governo de São Paulo, o Professor W. Besnard teve papel importante na pesquisa oceanográfica brasileira. Realizou expedições pela costa brasileira, em Cabo Verde e em outras regiões do Atlântico, além de ter levado as primeiras equipes de pesquisadores brasileiros à Antártica.
A embarcação também foi utilizada na formação de cientistas, acumulando mais de 260 viagens e milhares de pontos de coleta para estudos. O navio estava fora de operação desde 2008, quando foi atingido por um incêndio que comprometeu sua estrutura. Desde então, permaneceu inativo e aguardava recuperação para voltar a cumprir funções ligadas à pesquisa e à educação ambiental.



