A Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo, prometida há quase 18 anos, finalmente tem data para começar a operar: outubro de 2026. O primeiro trecho, entre Brasilândia (zona norte) e Perdizes (zona oeste), está com 88% das obras concluídas. A concessionária Linha Uni, controlada pela espanhola Acciona, intensificou os trabalhos com turnos noturnos desde outubro de 2025 para cumprir o prazo.
Detalhes das obras e estações
A estação Perdizes, ponto final da primeira fase, já alcançou 92% de conclusão, com o prédio de entrada envidraçado. Já a estação Sesc-Pompeia está em 84%, com estrutura em pé e telhado em fase de implementação. A estação Água Branca, que fará conexão com as linhas 7-Rubi e 8-Diamante, é a mais avançada, com 97% pronta.
No entanto, a estação Maristela, a segunda após Brasilândia, não será entregue na primeira fase devido a desafios geológicos. Seu progresso é de apenas 65%. "Ali encontramos alguns problemas com relação à geologia que atrasaram o cronograma de entrega", afirmou ao Estadão o CEO da Acciona no Brasil, André De Angelo. Maristela e a estação 14 Bis-Saracura (15% concluída) devem operar apenas em outubro de 2027, junto com o trecho de Perdizes até São Joaquim, onde haverá conexão com a Linha 1-Azul.
Status das estações
Confira o percentual de conclusão de cada estação:
- 1ª fase (outubro de 2026): Brasilândia (90,99%), Itaberaba-Hospital Vila Penteado (71,45%), João Paulo I (91,06%), Freguesia do Ó (85,84%), Santa Marina (94,34%), Água Branca (97,01%), Sesc-Pompeia (83,63%), Perdizes (92,02%).
- 2ª fase (outubro de 2027): Maristela (64,79%), PUC-Cardoso de Almeida (81,98%), Faap-Pacaembu (71,28%), Higienópolis-Mackenzie (65,28%), 14 Bis-Saracura (15%), Bela Vista (72,74%), São Joaquim (68,81%).
A estação Itaberaba-Hospital Vila Penteado, a mais atrasada da primeira fase com 72%, será a mais profunda de São Paulo, a 66 metros do chão, superando a Santa Cruz da Linha 5-Lilás.
Histórico do projeto
Anunciada em dezembro de 2008, a Linha 6-Laranja, apelidada de "Linha das Universidades" por passar por instituições como PUC, Faap e Mackenzie, promete reduzir o tempo de deslocamento entre Brasilândia e São Joaquim de 1h30 para 23 minutos, com capacidade para 633 mil passageiros por dia. O custo inicial estimado era de R$ 2 bilhões, mas a licitação em 2013 resultou em uma PPP de R$ 9,6 bilhões. As obras começaram em 2015, mas foram paralisadas em setembro de 2016 devido à Lava Jato, que atingiu as empresas do consórcio. Em 2020, a Acciona assumiu a concessão por R$ 15 bilhões, com prazo para outubro de 2025. Atualmente, o custo total é de R$ 19 bilhões, segundo a Artesp.
Desafios e imprevistos
A obra enfrentou diversos problemas, como crateras abertas na Marginal do Tietê (2022), na Freguesia do Ó (2024) e na Bela Vista (2025). A descoberta do sítio arqueológico Quilombo Saracura na estação 14 Bis quase a excluiu do projeto, mas a estação foi rebatizada para 14 Bis-Saracura. Em Higienópolis-Mackenzie, a complexidade do solo causaria atraso de mais de mil dias, mas a mudança na tecnologia de escavação, com custo extra de R$ 3,6 bilhões, evitou um gasto ainda maior de R$ 4,4 bilhões, conforme a Artesp.



