Exame toxicológico para CNH: mulher tem cabelo raspado em excesso
Exame toxicológico para CNH: cabelo raspado em excesso

Desde o início de 2026, o exame toxicológico passou a ser exigido para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). No entanto, o que muitas mulheres não esperavam era que esse exame causaria tanta dor de cabeça. Na internet, é fácil encontrar casos de mulheres que relatam ter tido seus cabelos excessivamente raspados durante o exame.

Caso de Kimberly Oliveira viraliza

Um desses casos é o de Kimberly Oliveira, de Horizonte (CE). A fisioterapeuta de 24 anos publicou um vídeo em sua conta no TikTok que mostra uma área na cabeça com uma visível falta de cabelo. “Eu fiquei me olhando, eu estou com dois buracos na minha cabeça, parece que eu estou com, tipo, alopecia. Nossa, eu fiquei muito arrasada mesmo no dia, eu não estava nem acreditando”, disse Kimberly à reportagem.

Além disso, Oliveira também relatou uma atitude curiosa: quem fez a retirada da mecha para o exame foi a recepcionista da clínica. “Eu entrei, eram duas recepcionistas, e foi ela que fez o meu toxicológico.” Detalhando o procedimento, Kimberly disse que ao ser chamada para a coleta, foi levada para uma sala onde a recepcionista pediu que ela abaixasse a cabeça e colocasse o cabelo para frente. Ela obedeceu e a primeira coleta foi feita. Ao passar a mão no cabelo, percebeu que havia uma grande área vazia; com o passar dos dedos, mais fios saíram. Ela se assustou, chorou, foi consolada pela profissional e, então, uma nova coleta foi feita — também retirando uma quantidade considerável. Segundo ela, em nenhum momento foi explicado o porquê da quantidade dos fios, apenas informaram que era um processo normal.

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Clínica se pronuncia

O local escolhido para o procedimento foi a Captran, na unidade de Horizonte (CE). Procurada pela reportagem do Jornal do Carro, Larice, administradora da clínica, informou que “a coleta de material para finalidade de exame toxicológico obedece a todos os critérios técnicos para realização de exame, inclusive todos os colaboradores têm certificado exigido pela regulamentação técnica laboratorial.” Larice também afirmou que a Captran está totalmente aberta a atender novamente Kimberly e verificar qualquer irregularidade, além de ter todo processo documentado para garantir a execução adequada. De forma contundente, ela esclareceu que a “recepcionista”, na verdade, é uma técnica laboratorial que inicia o atendimento fazendo os registros no sistema da recepção. Quanto à quantidade da amostra, segundo a administradora, foi retirado os fios necessários para que haja eficiência no teste, conforme necessidade do laboratório.

O que dizem as especialistas

Patrícia Resta, especialista em assessoria de CNH e clínica de exame toxicológico, alerta que a retirada excessiva de fios não faz parte do procedimento padrão do exame. A coleta de cabelo ou pelos corporais segue critérios técnicos específicos e não exige grandes quantidades de material. “O coletor precisa estar com todos os materiais de EPI (...) o procedimento correto é separar a mecha do cabelo com a ajuda de um pente. Uma mecha bem fina, que seja uma quantidade considerável para a análise, mais ou menos a espessura de uma carga de caneta Bic”, explica Resta. Ela complementa dizendo que “o corte deve ser feito na vertical; dessa forma, a coleta fica discreta, sem causar danos estéticos e emocionais”. Ou seja, quando há falhas visíveis, áreas raspadas em excesso ou remoção desproporcional de fios, isso pode indicar que o procedimento não foi realizado da maneira adequada.

Uma dúvida recorrente é se é possível fazer a coleta de outras partes do corpo. Diante disso, Resta explica que “a coleta, tanto em homens quanto em mulheres, pode ser feita também através de pelo, desde que tenha a quantidade necessária para a análise, que é mais ou menos uma bolinha de algodão”. Justamente por conta da quantidade necessária, as mulheres costumam precisar fazer a retirada pelo cabelo.

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Sobre o caso de Kimberly, Patrícia comenta que é algo preocupante e que, com certeza, não deveria acontecer. Inclusive, ela mesma já teve uma experiência parecida antes de abrir sua própria clínica. “A dica que eu posso dar para ajudar é verificar no Google a avaliação da clínica e, no dia do exame, tirar as dúvidas. De forma geral, a coleta deve ser realizada por uma pessoa treinada e devidamente capacitada pelo laboratório para esse procedimento, tendo todo o cuidado possível.”

Dicas para fazer a coleta com segurança

Para fazer o exame com segurança, o primeiro passo é confirmar se o laboratório escolhido é autorizado pelos órgãos competentes, como o Denatran ou os Detrans estaduais. Em seguida, a pessoa interessada deve apresentar um documento oficial com foto para continuar com o procedimento. Também é importante verificar a identificação do profissional responsável e se todo o material utilizado na coleta é estéril e lacrado. Outro cuidado é conferir a correta identificação da amostra, que deve ser etiquetada e vinculada ao documento do examinado, garantindo a chamada cadeia de custódia — um processo que impede trocas ou contaminações. É preciso também ler e assinar os termos de consentimento antes da coleta, além de guardar o comprovante de realização do exame.

Para que serve o teste toxicológico

O teste toxicológico serve para identificar o uso de substâncias psicoativas em um período mais longo, funcionando como uma ferramenta de segurança em atividades de maior risco, especialmente na condução de veículos. Em dezembro de 2025, o Congresso Nacional aprovou a ampliação da exigência do exame toxicológico para a primeira habilitação nas categorias A e B.