O governador interino do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, tem promovido um raro choque de gestão no estado, focado na recuperação da máquina pública. Em apenas três meses, ele realizou exonerações em massa, auditorias detalhadas e revisões de contratos, com o objetivo de reduzir estruturas administrativas inchadas e economizar R$ 200 milhões até 2026.
Medidas de austeridade e impacto fiscal
As ações de Couto incluem a redução de cargos comissionados e a renegociação de contratos com fornecedores. Segundo o governo, essas medidas já geraram uma economia imediata de R$ 50 milhões nos primeiros meses. A meta é alcançar R$ 200 milhões até o final de 2026, contribuindo para o equilíbrio fiscal do estado.
O governador interino também determinou auditorias em todas as secretarias, identificando sobreposições de funções e gastos desnecessários. "Estamos fazendo uma faxina na administração pública. Cada centavo economizado será reinvestido em áreas prioritárias", afirmou Couto em entrevista coletiva.
Desafios políticos e parcerias com Brasília
Apesar do apoio inicial, a reforma enfrenta resistência de setores políticos e sindicatos. No entanto, Couto busca fortalecer parcerias com o governo federal para alavancar investimentos em educação e transporte. "O Rio não pode mais viver de improvisos. Precisamos de planejamento e parcerias sérias", declarou o governador.
Uma das principais iniciativas é a adesão ao Programa de Apoio à Governança (Propag), que prevê assistência técnica e financeira da União. O termo de adesão foi assinado em cerimônia com o presidente Lula, conforme registrado em foto oficial.
Expectativas para um novo ciclo administrativo
Se a agenda de reorganização for mantida, o estado poderá iniciar um novo ciclo administrativo sem parte das pesadas heranças de gestões anteriores. A expectativa é que, com a economia gerada, seja possível investir em infraestrutura e serviços públicos, melhorando a qualidade de vida da população fluminense.
Especialistas apontam que a reforma de Couto é um passo importante, mas alertam para a necessidade de continuidade. "O choque de gestão é bem-vindo, mas precisa ser sustentado por políticas de longo prazo", analisa o cientista político Carlos Alberto Pereira.



