Como bets atraem adolescentes e atrasam entrada na faculdade
Como bets atraem adolescentes e atrasam entrada na faculdade

As apostas esportivas online, popularmente conhecidas como bets, estão cada vez mais presentes na vida dos adolescentes brasileiros. Apesar de serem legalmente permitidas apenas para maiores de 18 anos, a forte ligação com o universo dos esportes, dos games e o uso constante do celular têm aproximado esse público mais jovem das plataformas de jogos. O fenômeno tem causado preocupação entre educadores e pais, pois relatos indicam que o vício em apostas já está atrasando até mesmo a entrada de jovens na faculdade.

Proximidade com o esporte e os games

As bets utilizam estratégias de marketing que dialogam diretamente com os interesses dos adolescentes. Muitas plataformas patrocinam times de futebol, influenciadores digitais e eventos de esports, criando uma associação natural entre o jogo e o entretenimento. Além disso, a gamificação das apostas — com bônus, missões e rankings — torna a experiência ainda mais atraente para quem já está acostumado com a lógica dos videogames.

O papel do celular

O smartphone é o principal canal de acesso dos jovens às bets. Com aplicativos leves e de fácil navegação, as apostas podem ser feitas a qualquer momento, dentro ou fora da escola. A facilidade de pagamento via Pix e a possibilidade de começar com valores baixos também contribuem para a adesão precoce. Especialistas alertam que a combinação de acesso irrestrito à internet e falta de fiscalização efetiva das plataformas cria um ambiente propício para o desenvolvimento do vício.

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Consequências na vida acadêmica

Casos de adolescentes que abandonaram os estudos ou adiaram o ingresso na universidade por causa das apostas já são relatados por psicólogos e orientadores educacionais. O tempo excessivo dedicado às bets, a ansiedade gerada pelas perdas financeiras e a busca constante por recuperar o dinheiro perdido comprometem o rendimento escolar e a saúde mental. Em situações mais graves, jovens chegam a contrair dívidas ou a se envolver em situações de risco para conseguir dinheiro para apostar.

Falta de fiscalização e responsabilidade das plataformas

Embora a legislação brasileira proíba a participação de menores de 18 anos em apostas esportivas, a verificação de idade nas plataformas é frequentemente falha. Muitos adolescentes conseguem se cadastrar utilizando dados falsos ou documentos de terceiros. As empresas responsáveis pelas bets são criticadas por não adotarem mecanismos mais rigorosos de controle, como o reconhecimento facial ou a exigência de biometria. Enquanto isso, o debate sobre a regulamentação do setor avança no Congresso Nacional, mas ainda sem medidas concretas para proteger os jovens.

O que pais e escolas podem fazer

Diante do crescimento do problema, especialistas recomendam que pais e educadores estejam atentos ao comportamento dos adolescentes, especialmente em relação ao uso do celular e a mudanças de humor ou de hábitos financeiros. O diálogo aberto sobre os riscos das apostas e a educação digital são ferramentas essenciais para prevenir o vício. Escolas também podem incluir o tema em disciplinas como educação financeira e cidadania digital. Em casos mais graves, a busca por ajuda profissional, como psicólogos especializados em dependência tecnológica, é fundamental.

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