Venezuelana em Campinas relata dor e resiliência após terremoto duplo
Venezuelana em Campinas fala sobre terremoto na Venezuela

Imagens de satélite mostram o antes e depois do terremoto que atingiu La Guaira, na Venezuela, na noite de quarta-feira (24). Os abalos, de magnitude 7,2 e 7,5, ocorreram com menos de um minuto de diferença, provocando desabamentos, mortes e feridos, além de pelo menos 20 réplicas nas horas seguintes. Até a última atualização, as autoridades confirmavam 188 mortes e 1.520 feridos.

Relato de uma venezuelana em Campinas

Maria Eugênia Andre Avilez, venezuelana que vive há seis anos em Campinas (SP), expressa o sentimento de esperança diante da tragédia: “O venezuelano é muito resiliente. Nós renascemos das cinzas.” Ela conta que sua família está no sul do país, região menos afetada, mas todos sentiram os tremores. “Minha família está lá, eu estou aqui só com meus dois filhos. Graças a Deus, eles estão bem. Eles ficam no sul do país, e os terremotos foram no centro-norte”, afirma.

Informações e incertezas

As informações chegam principalmente por contatos pessoais e redes sociais, aumentando a incerteza sobre a real dimensão da tragédia. Maria ressalta a gravidade: “Tem muitas perdas humanas, muitos prédios que caíram. É uma situação muito triste. Se estima que há muitos falecidos, porque havia muitas pessoas em casa, sobretudo idosos e crianças.”

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Dor e distância

Além da preocupação imediata, Maria destaca o impacto emocional entre os venezuelanos que deixaram o país, especialmente aqueles com familiares idosos. “Há muita dor. Tem gente que sabe que pais e avós estavam sozinhos e agora estão desaparecidos. É uma dor muito forte”, afirma. Segundo ela, o terremoto intensifica os sentimentos da experiência migratória. “Migrar é muito difícil. Só quem migra entende. São muitos ‘lutos’: da terra, da cultura, do idioma.”

A própria saída da Venezuela foi uma decisão extrema: “No meu caso, foi por sobrevivência. Ou eu fugia com meus filhos, ou morria na minha terra.” Maria explica que muitos idosos permanecem no país por resistência à mudança. “Muitos não quiseram emigrar. Estão muito arraigados à sua terra, ao seu espaço. São os mais resistentes a mudar de vida.”

Resiliência

Mesmo diante da destruição, Maria reforça a capacidade de reação da população. “O venezuelano sabe se reconstruir, apesar da dor. A gente se levanta e segue em frente, porque precisa”, diz. Segundo ela, a resposta imediata mostra essa força: “Quem está resgatando as pessoas são os próprios venezuelanos, na luta, na garra.”

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