Moradores de um condomínio em Jundiapeba, distrito de Mogi das Cruzes, denunciam um vazamento de esgoto que já dura mais de dez anos. O problema, segundo eles, é causado por falhas no sistema de esgotamento sanitário que atravessa o residencial. A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) confirmou, após vistoria realizada em 2 de julho de 2026, o lançamento de esgoto sem tratamento no sistema de drenagem de águas pluviais, que deságua no Rio Tietê.
Vazamento contínuo e cheiro insuportável
De acordo com o síndico do condomínio, Eduardo Jeferson de Arruda, os moradores já informaram a situação à Sabesp, à Cetesb e ao Serviço Municipal de Águas e Esgotos (Semae). “Cerca de 30 dias atrás, o esgoto começou a extravasar de forma contínua. É um cheiro insuportável, dia após dia”, afirmou. Segundo Arruda, um técnico da Cetesb informou que uma das bombas da estação elevatória está quebrada desde janeiro e que um dos motores apresentou falha há cerca de um mês, deixando o sistema inoperante. “Ele explicou que as galerias ficaram cheias e o esgoto retornou para dentro do residencial”, disse.
Problema antigo e impactos ambientais
O síndico afirmou que os moradores convivem com o problema há mais de dez anos. Em janeiro de 2025, a TV Diário mostrou a situação no condomínio; em 2014, a emissora já havia exibido reportagem sobre o mesmo problema. Arruda também se preocupa com os impactos ambientais: “A gente precisa que as autoridades fiscalizem esse tipo de situação. O esgoto está sendo lançado na área de preservação e poluindo o Rio Tietê. Essa é a nossa indignação”.
Riscos à saúde dos moradores
O segurança Daniel de Paula Botelho, morador do condomínio, relatou que sua filha foi diagnosticada com verminose após cair no canal por onde passa o esgoto. “Ela chegou muito suja em casa, apareceram manchas na pele e, depois de levá-la ao médico, veio o diagnóstico de verminose. É um risco constante. As crianças não podem brincar na rua e precisamos manter as janelas fechadas por causa do cheiro”, disse.
A moradora Fernanda Fasolin Ferreira, que trabalha em home office, afirmou que o odor interfere na rotina: “Tenho que deixar todas as janelas fechadas e, muitas vezes, sair de casa porque não consigo suportar o cheiro. Também fico preocupada com o risco de doenças”.
Nota da Cetesb
Em nota, a Cetesb informou: “Em vistoria realizada no local em 2 de julho de 2026, técnicos da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) identificaram o lançamento de esgoto bruto em sistema de drenagem de águas pluviais com deságue no Rio Tietê. Avaliações preliminares indicam que a ocorrência foi provocada pela paralisação de uma estação elevatória do sistema de saneamento, ocasionando refluxo e extravasamento de efluentes sem tratamento. Diante da situação, a Cetesb adotará as medidas administrativas cabíveis. A empresa recebeu Auto de Inspeção e foi notificada a adotar imediatamente as providências necessárias para sanar a irregularidade. A Companhia segue acompanhando o caso”.
Nota da Sabesp
A Sabesp, por sua vez, informou: “A Sabesp informa que mantém diálogo com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e está atendendo às solicitações de informações do órgão ambiental. Após vistoria realizada pela Cetesb no dia 2 de julho, a Sabesp reforçou as medidas operacionais e executou intervenções adicionais no sistema de bombeamento. O sistema permanece operando normalmente, sob monitoramento contínuo. A Sabesp reafirma seu compromisso com a preservação ambiental e informa que seguirá acompanhando a operação do sistema, adotando todas as medidas necessárias para garantir seu pleno funcionamento e a segurança operacional”.



