Os recentes terremotos que atingiram o estado de La Guaira, na Venezuela, expuseram a fragilidade de um sistema de saúde que já operava em estado de colapso. Médicos e equipes de resgate relatam falta de água potável, ambulâncias, equipamentos básicos e até iluminação adequada nos hospitais, obrigando procedimentos de emergência sob a luz de celulares.
Sistema de saúde em ruínas antes do desastre
De acordo com especialistas, anos de crise econômica, hiperinflação e má gestão deixaram o país sem estrutura mínima para responder a desastres naturais. “A Venezuela já enfrentava uma crise humanitária na saúde antes dos terremotos. Agora, a situação se tornou insustentável”, afirmou um médico que atendeu vítimas em Caracas, sob condição de anonimato. Hospitais públicos operam com leitos reduzidos, falta de medicamentos e profissionais exaustos.
Resgates improvisados e falta de infraestrutura
Imagens mostram equipes de resgate transportando feridos em macas improvisadas, enquanto hospitais como o Hospital Universitário de Caracas registravam falta de água corrente. “Tivemos que usar lanternas de celular para realizar suturas. Não havia geradores funcionando”, relatou uma enfermeira. A ausência de ambulâncias em número suficiente obrigou o uso de veículos particulares para levar vítimas aos hospitais.
Impacto do isolamento político na ajuda humanitária
A resposta internacional ao desastre é dificultada pelo isolamento político da Venezuela. Sanções e falta de reconhecimento diplomático limitam a entrada de ajuda humanitária. Organizações não governamentais denunciam que o governo de Nicolás Maduro não tem capacidade logística para coordenar a assistência. “O Estado venezuelano está ausente. Quem está salvando vidas são os próprios cidadãos”, disse um representante da Cruz Vermelha local.
Números do desastre e perspectivas
Até o momento, os terremotos deixaram dezenas de mortos e centenas de feridos, segundo balanço preliminar das autoridades. Especialistas estimam que o número de vítimas pode aumentar devido à falta de atendimento adequado. A crise hídrica nos hospitais eleva o risco de infecções e complicações pós-operatórias. “Estamos operando em condições de guerra, sem os recursos mais básicos”, completou o médico.



