O casal Paola Talhatelli e Mathias Ambrosini morreu após o carro em que estavam rodar na pista e ser atingido por uma caminhonete na direção contrária em rodovia de Itapira (SP), nesta quinta-feira (21). O acidente ocorreu na Rodovia Comendador Virgolino de Oliveira (SP-352), mesma via onde, sete dias antes, o primo da noiva também perdeu a vida.
Taxa de mortalidade elevada
Dados do Sistema de Informações de Acidentes de Trânsito em São Paulo (Infosiga-SP) apontam que Itapira tem uma taxa de 23,52 mortes por 100 mil habitantes, o dobro da registrada em Campinas (10,96). O município de 72 mil habitantes registrou 17 mortes em 15 ocorrências entre junho de 2025 e maio de 2026, sendo que sete desses acidentes ocorreram na SP-352.
O indicador de Itapira é o terceiro maior entre as 31 cidades da área de cobertura do g1 Campinas, atrás apenas de Tuiuti (43,64) e Lindoia (42,68), ambas com menos de 10 mil habitantes. Campinas, com 1,1 milhão de habitantes, tem o maior número absoluto de óbitos (125), mas taxa proporcional menor.
Concessionária pede novos radares
Após as tragédias de maio, com mortes de três pessoas da mesma família, a concessionária Arteris Intervias solicitou à Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) permissão para instalar novos radares na rodovia.
Especialista alerta para problemas estruturais
Para o pesquisador e professor de Engenharia de Transportes da Unicamp Luiz Vicente Figueira de Mello, a diferença entre as cidades mostra que é necessário analisar conjuntamente o número de mortes e o risco proporcional. “Isso chama atenção e precisa ser investigado”, afirma. O especialista destaca que a repetição de acidentes em um mesmo trecho, como na SP-352, pode indicar problemas estruturais na via, como falhas de sinalização ou características do traçado. “Os números falam para nós. Quando há concentração de ocorrências em um ponto específico, pode não ser coincidência, mas um indicativo de que algo precisa ser corrigido”, diz.



