Prefeito de SP afasta gerente da SPTuris por suspeita de favorecer ONG de produtora de filme de Bolsonaro
SP: gerente da SPTuris afastado por suspeita de favorecer ONG

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), anunciou nesta terça-feira (10) o afastamento de Rodrigo Raveli Bolzan do cargo de gerente de eventos da SPTuris. Segundo o prefeito, Raveli está sendo investigado pela Controladoria Geral do Município (CGM) por suposta ligação com uma rede de empresas que prestam serviços ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), da empresária Karina Ferreira da Gama, em contratos firmados com o município.

Karina Ferreira da Gama é proprietária do Instituto Conhecer Brasil, uma ONG que possui um contrato milionário para instalação de pontos de wi-fi na cidade de São Paulo. Além disso, ela é dona da produtora Go Up, responsável pelo filme "Dark Horse", que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na semana passada, a empresária e suas empresas foram alvo de uma operação da Polícia Civil.

De acordo com denúncia do portal "Metrópoles", Raveli teria favorecido o ICB a firmar contratos dentro da SPTuris depois que assumiu o cargo na empresa municipal de eventos. A reportagem aponta que Raveli era sócio da Complexys Soluções Integradas LTDA, que também foi alvo de um mandado de busca e apreensão da Polícia Civil durante a Operação Sem Wi-Fi, na semana passada.

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Conforme publicado pelo g1, Karina Gama chegou a apresentar à Prefeitura de SP uma nota cancelada de R$ 2 milhões da Complexys na prestação de contas do contrato de wi-fi. O atual dono da Complexys é o empresário André Feldman, amigo de Karina. Eduardo Ferreira Franco, conselheiro do ICB, também foi sócio da mesma empresa.

A apuração indica que, já na SPTuris, Raveli pagou R$ 3,5 milhões em despesas de um evento da ONG comandada por Karina da Gama com verba pública da empresa municipal de turismo. Ele também foi fiscal de R$ 9 milhões em contratos com empresas de um de seus ex-sócios na Complexys.

Em conversa com o g1 por telefone em 20 de maio, Karina afirmou que desconhece as notas mencionadas na reportagem, "mas não tem controle se um fornecedor contratado anula uma nota. As notas fiscais do próprio instituto glosadas, fui eu mesma que apontei para a prefeitura os problemas, e eles estão sendo resolvidos na prestação de contas que estou preparando para entregar do bimestre". A empresária informou ainda que o ICB e as três firmas que estão em seu nome funcionam no mesmo endereço para que possa "manter o controle sobre as empresas".

Afastamento e investigação

Segundo o prefeito Ricardo Nunes, Rodrigo Raveli é funcionário da SPTuris desde 2005, e a estatal tem cerca de 220 contratos, mas ele era fiscal de apenas oito. "Ele está afastado das funções. Foi aberta uma apuração pela Controladoria e está sendo apurado pela controladora. (...) Identificando alguma ilegalidade, obviamente ele vai ser demitido. Se não houver ilegalidade, não vou carregar nas minhas costas o peso de cometer alguma injustiça", disse Nunes.

O prefeito do MDB acrescentou: "Está aberta a apuração e também não vou carregar nas minhas costas nenhum peso de ser omisso e vou ser absolutamente rigoroso com qualquer tipo de desvio de conduta. A Controladoria vai me passar o resultado da apuração e vamos decidir o que vai ser feito. Nesse momento ele está afastado e está sendo feita uma apuração ampla".

Posicionamento do Instituto Conhecer Brasil

Após a operação policial, o Instituto Conhecer Brasil divulgou nota informando que recebeu e cumpriu integralmente o mandado judicial, colaborando de forma transparente com as autoridades. A instituição afirmou que contratou perícia e auditoria especializada para oferecer suporte técnico e jurídico ao processo de investigação. O ICB reafirmou sua convicção de que os procedimentos em curso demonstrarão a regularidade das ações e a correta aplicação dos recursos.

Problemas anteriores na SPTuris

Este não é o primeiro caso de contratos suspeitos sob investigação da CGM na SPTuris. Em fevereiro deste ano, o prefeito demitiu o secretário-adjunto de Turismo da cidade, Rodolfo Marinho da Silva, e o presidente da SPTuris, Gustavo Pires. Eles são investigados por conta de um contrato de mais de R$ 239 milhões com a empresa MM Quarter, que tinha Rodolfo Marinho como sócio oculto, segundo o próprio prefeito.

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A MM Quarter pertence à empresária Nathália Carolina de Souza Silva, que foi sócia de Rodolfo Marinho numa empresa de consultoria política. Ela deixou a sociedade com o ex-secretário poucos dias antes de ele ser indicado para o cargo. Após a nomeação de Marinho por Nunes, a empresa ganhou ao menos 24 contratos milionários com a SPTuris.

Nesta terça-feira (9), Nunes lembrou que fez mudanças no comando do Turismo para não encobrir mau uso do dinheiro público. "Importante destacar que coloquei na presidência da SPTuris o Coronel Salles, da Polícia Militar, que é uma pessoa de muita confiança minha. E a dra Talita, que é da Controladoria Geral do Município, que está emprestado e atuando dentro da SPTuris e a gente não quer deixar nenhum tipo de dúvida sobre qualquer contrato", declarou.

"Obviamente com a matéria do Metrópoles, a gente agradece, porque é muito importante, a gente tomou algumas atitudes, e vai ser muito rápido e célere o processo de apuração", disse o prefeito de SP.