Sirene de 1952 ainda marca a rotina do comércio em Adamantina
Sirene de 1952 ainda marca rotina do comércio em Adamantina

Uma sirene instalada há mais de 70 anos em Adamantina, no interior de São Paulo, continua funcionando diariamente para anunciar a abertura e o fechamento do comércio, preservando uma tradição que resistiu ao tempo e aos avanços tecnológicos. O equipamento foi instalado em 1952 em uma ótica e relojoaria localizada no Centro da cidade.

Funcionamento e horários

De segunda a sexta-feira, a sirene toca às 8h, marcando o início do expediente comercial, e às 18h, sinalizando o encerramento das atividades. Aos sábados, os horários são às 9h e às 13h. Segundo o comerciante Gilson Hiroshi Kitamura, de 67 anos, que é responsável pelo estabelecimento desde 1982, o som pode ser ouvido a vários quarteirões de distância e ainda serve de referência para comerciantes e moradores. "Acredito que muitos estabelecimentos comerciais e cidadãos são avisados ao ouvir a sirene na abertura e no fechamento do comércio", afirma.

História e simbolismo

A sirene foi instalada pelo pai e pelo tio de Gilson, fundadores da loja, no mesmo ano em que iniciaram as atividades. Ao longo dos anos, o equipamento passou a fazer parte da identidade da cidade. Em determinado período, Gilson chegou a desativá-lo por considerá-lo desnecessário, mas a decisão durou pouco. Moradores e autoridades locais pediram que a sirene voltasse a funcionar, demonstrando o valor simbólico que ela adquiriu para a população. "Continua sendo um símbolo. Hoje posso dizer que é um referencial, além de ser prazeroso para mim e uma forma de gratidão por tudo que essa cidade fez por mim", diz.

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Episódio marcante

Entre as lembranças envolvendo o equipamento, Gilson recorda uma tentativa de assalto ocorrida no momento em que fechava a loja. Criminosos aguardavam para entrar no estabelecimento quando a sirene tocou às 18h, indicando o encerramento do expediente. Os suspeitos desistiram da ação e deixaram o local. Posteriormente, o veículo em que eles estavam foi abordado por policiais durante uma fiscalização de rotina em uma rodovia da região.

Precisão e ocasiões especiais

Antes da popularização dos relógios digitais, a precisão do horário exigia um cuidado especial. "Meu pai e os funcionários sintonizavam uma rádio de Brasília, que transmitia a hora oficial baseada em um relógio atômico. Assim, conseguíamos manter os relógios da relojoaria com diferença de no máximo 15 segundos", relembra. Além da rotina comercial, a sirene também marcou ocasiões especiais, como viradas de ano, quando tocou à meia-noite para celebrar a chegada do novo ano, e foi acionada a pedido das autoridades em situações específicas.

Futuro da tradição

Para Gilson, a tradição poderá chegar ao fim quando ele deixar os negócios da família, já que os dois filhos seguiram carreira na área da saúde e não pretendem assumir a ótica e relojoaria. "Acredito que serei o último. Tenho um filho dermatologista e uma filha que é diretora técnica de uma grande unidade de saúde, e eles não pretendem continuar a atividade", afirma.

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