O publicitário Luciano Braga, de Porto Alegre, encontrou uma forma criativa de protestar contra os problemas da cidade: instalou placas com avisos inspirados nos selos nutricionais de alimentos ultraprocessados em vias públicas. As peças trazem frases como “alto em fios” e “alto em poluição visual”, imitando a estética dos alertas de sódio, gordura e açúcar presentes em embalagens de produtos industrializados.
Intervenção urbana gera debate
A ação, batizada de “Cidade ultraprocessada”, tem como objetivo chamar a atenção da população para questões urbanas que muitas vezes passam despercebidas. Segundo Braga, a ideia surgiu ao observar a quantidade de fios elétricos expostos e a poluição visual nos postes e fachadas da capital gaúcha. “Quis usar uma linguagem que todo mundo conhece – os selos de alimentos – para falar de um problema que afeta a todos”, explicou o publicitário.
As placas foram fixadas em pontos estratégicos da cidade, como na região central e em bairros movimentados. A reação dos moradores foi imediata: muitas pessoas pararam para fotografar e compartilhar nas redes sociais, gerando discussões sobre a necessidade de melhorias na infraestrutura urbana.
Interesse de outras cidades
O sucesso da intervenção já despertou o interesse de outras localidades. Braga afirma que recebeu contatos de representantes de cidades como São Paulo e Curitiba, interessados em replicar o modelo. “A ideia é que essa discussão se espalhe e que cada cidade possa adaptar os avisos para seus próprios problemas”, disse.
Além dos “alto em fios” e “alto em poluição visual”, o artista planeja criar novas placas abordando temas como buracos nas vias e falta de acessibilidade. A intervenção não tem fins lucrativos e é mantida com recursos próprios.
Impacto e reflexão
A ação de Braga se insere em um movimento maior de arte urbana que busca provocar reflexão sobre o espaço público. Especialistas em urbanismo elogiaram a iniciativa, destacando que ela utiliza o humor e a ironia para engajar a população. “É uma forma lúdica de chamar atenção para problemas sérios, que muitas vezes são normalizados”, comentou a urbanista Marina Silva, em entrevista ao jornal local.
Com a repercussão, Luciano Braga espera que a prefeitura de Porto Alegre e outras autoridades se sensibilizem e tomem medidas concretas. “Se pelo menos uma placa fizer alguém pensar duas vezes sobre o estado da cidade, já valeu a pena”, concluiu.



