Uma cerimônia coletiva realizada na última sexta-feira (10) na Aldeia Yawatxivã, em Tarauacá, interior do Acre, a cerca de 400 quilômetros de Rio Branco, marcou a vida da aposentada Maria Dacisete Mendes de Araújo, de 69 anos, e Sebastião da Silva, de 73. Após quase 50 anos de convivência, eles oficializaram a união no mesmo altar em que três de seus filhos também se casaram. Ao todo, 16 casais – entre ribeirinhos e indígenas das etnias Yawanawa e Noke Koi – participaram do evento promovido pelo Projeto Cidadão, do Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC).
Sonho realizado com vestido de noiva
Para Dacisete, a data ficará gravada na história da família. “Foi uma alegria imensa. Eu já estava esperando por esse momento e vi que tudo é no tempo de Deus, porque foi perfeito. Quando eu era nova não consegui casar, mas agora consegui. Graças a Deus realizei esse grande sonho”, contou. O casal está junto há quase cinco décadas e completará 50 anos de convivência no próximo ano. Juntos, construíram uma família com cinco filhos, 14 netos e seis bisnetos.
Além de oficializar a união, Dacisete realizou outro desejo: usar um vestido de noiva com véu, recebido por doação da equipe de decoração. “Era o meu sonho colocar um vestido de noiva com véu. Foi uma alegria imensa. Eu nem queria tirar a roupa depois”, disse, emocionada. As costuras finais foram feitas na véspera da cerimônia. Após o evento, a comemoração continuou na casa da família, na Colônia Cinco Irmãos, com um assado e festa para celebrar os quatro casamentos.
Família unida no altar
Além de Dacisete e Sebastião, casaram-se os filhos Nelson Lima de Araújo, Antônio Ronaldo Araújo Silva e Adnaldo Araújo Silva. “Graças a Deus, meus filhos estavam todos reunidos. Foi o meu casamento e mais três casamentos dos meus filhos. Foi uma festa muito bonita”, lembrou a aposentada. Ela destacou que a lembrança será preservada pelas próximas gerações: “Meus filhos, meus netos e bisnetinhos vão todos lembrar desse dia. Vão dizer que a avó deles se casou de vestido de noiva. Quando eu morrer, vou feliz, porque realizei o sonho que eu tinha. Nunca quis lua de mel ou viajar, minha felicidade é o lugar que moro perto de quem eu amo”.
Indígenas também oficializaram uniões
Entre os 16 casais, estavam indígenas das etnias Yawanawa e Noke Koi. Marcílio Yawanawa, de 22 anos, e Girlene Yawanawa, de 33, que vivem juntos há cinco anos, decidiram oficializar a união. A ideia de casar em família também foi vivenciada por eles: o irmão de Marcílio, Cláudio Yawanawa, de 35 anos, casou-se com Ivanete Yawanawa, de 31, irmã de Girlene. Os quatro participaram usando adornos e joias tradicionais indígenas. A celebração foi conduzida pelo juiz substituto Ricardo Cavalli.
Projeto Cidadão leva serviços a comunidades remotas
O casamento coletivo integrou a programação do Projeto Cidadão, que leva serviços públicos a comunidades de difícil acesso. Segundo a coordenadora de Apoio aos Projetos Sociais do TJ-AC, Isnailda Silva, além das oficializações, a ação ofereceu atendimentos gratuitos com a participação da Defensoria Pública do Acre, Ministério Público do Acre, Polícia Civil, Incra, Receita Federal, INSS, Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AC), Secretaria de Estado da Mulher, Serviço de Saúde Itinerante e equipes de saúde do município.



