Máquina abre vala para bloquear acesso à Ponte do Esqueleto após tragédia
Máquina abre vala para bloquear acesso à Ponte do Esqueleto

Uma máquina abriu uma vala para impedir o acesso à Ponte do Esqueleto, localizada entre Limeira e Cordeirópolis, no interior de São Paulo. A medida foi tomada pelas prefeituras das duas cidades nesta quarta-feira (17), após a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, que caiu de uma altura de 40 metros durante um salto de rope jump no sábado (13). A ponte, desativada para veículos há 30 anos, tem cerca de 40 metros de altura e 350 metros de comprimento e é conhecida por receber atividades de esportes de aventura, como ciclismo e saltos em queda livre.

Invasões na propriedade

O proprietário de uma fazenda cortada pela ponte, que preferiu não se identificar, relatou à EPTV, afiliada da TV Globo, que as invasões à sua propriedade para a prática de esportes radicais ocorrem ao menos desde 2020. Segundo ele, os frequentadores quebram cercas, deixam lixo, fazem barulho e assustam o gado. "Eles acham que têm o direito de ficar andando pela propriedade. Às vezes, chega até lá na minha casa, anda onde não deve andar, vai na minha represa, fazem churrasquinho embaixo da ponte", contou o fazendeiro.

Ele explicou que a mudança no perfil dos frequentadores começou há cerca de cinco anos. "Primeiro o pessoal vinha fazer rapel, descer na corda. Daí que virou nesse outro negócio [saltos comerciais]", afirmou. O fazendeiro disse que precisa monitorar constantemente a área: "Domingo eu passo duas, três vezes aqui por baixo para ver como é que está. Se eu bobear, daqui a pouco tem 50 pessoas lá embaixo".

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Limites na propriedade

Apesar de a ponte e uma faixa de três metros ao redor pertencerem ao Estado, o fazendeiro impôs regras estritas em suas terras. "Lá embaixo eu deixo ficar um cara só da equipe [de saltos], que é o que ajuda a tirar a corda e a cadeirinha. O pessoal desceu, sobe. Eu os conheço porque eu colocava os limites", relatou.

No dia da tragédia, ele não viu o momento exato da queda, mas ouviu os gritos. "Escutei um barulho lá de cima da minha casa, uns gritos diferentes do normal. Desci para ver o que estava acontecendo e vi ela no chão. Peguei meu carro, subi, abri o portão do fundo para poder entrarem os resgates e voltei para a minha casa", afirmou.

Histórico da ponte

As obras da ponte começaram em 1990 e foram paralisadas em 1992 devido a um deslocamento da cabeceira. "O pilar cedeu para baixo. Por isso essa ponte nunca foi usada, foi um problema estrutural. Na época, meu pai até avisou o pessoal: 'toma cuidado que a terra aqui cede'", relembrou o fazendeiro. O g1 questionou o governo federal sobre o motivo da desativação, mas não obteve retorno até a última atualização.

Fechamento dos acessos

Com a repercussão da morte, Limeira abriu uma vala na cabeceira da ponte, atendendo a um pedido do governo federal. Cordeirópolis fez a manutenção da valeta que já existia no outro lado. O fazendeiro, embora aliviado com o fim dos saltos, é cético quanto à eficácia a longo prazo. "Deveriam tirar as cabeceiras da ponte, mas não sei se vai resolver o problema, porque eu acredito que o ser humano vai arrumar um jeito de ir lá na ponte ainda", disse. Ele também se mostrou preocupado com a possibilidade de demolição e abandono dos resíduos em sua propriedade.

Responsabilidade pela ponte

A Ponte do Esqueleto pertencia a um trecho nunca implantado da antiga Rede Ferroviária Federal (RFFSA). Segundo o governo federal, a incorporação à Secretaria de Patrimônio da União (SPU) foi autorizada em 2026, mas antes disso já havia pedido apoio às prefeituras para bloquear o acesso. Em 2024, a ponte foi bloqueada por alguns meses, mas reaberta após discussão na Câmara de Limeira. A Prefeitura de Limeira afirmou que a responsabilidade pela fiscalização é exclusivamente do governo federal e que a tragédia "torna insustentável e inaceitável a continuidade dessa omissão".

Histórico de acidentes

Além da morte de Maria Eduarda, a Ponte do Esqueleto acumula outros acidentes. Em abril de 2024, uma ciclista de Rio Claro morreu após cair da estrutura. Em agosto de 2025, duas mulheres ficaram gravemente feridas após caírem da ponte.

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A tragédia

Um vídeo mostra Maria Eduarda sendo carregada por três funcionários até a beirada da plataforma e impulsionada para frente. Após a queda, ouvem-se gritos de "a corda" e "gente, a corda". A jovem caiu de 40 metros e morreu no local. A Polícia Civil informou que o equipamento que deveria estar preso ao corpo da vítima foi esquecido e ficou enrolado na ponte. Seis pessoas foram detidas. Os três instrutores, presos em flagrante, não souberam explicar o motivo do erro.