A reportagem do Estadão acompanhou nesta sexta-feira, 26, uma operação teste da Linha 6-Laranja do metrô, no trecho entre as estações João Paulo I e Perdizes, que deve ser inaugurada na próxima semana. A data exata da abertura das seis primeiras estações ainda não foi divulgada, pois depende de negociações de agenda entre o Governo Tarcísio de Freitas e a concessionária Acciona.
Operação assistida e horário reduzido
Na ‘Operação Assistida’ que a reportagem presenciou — do pátio Morro Grande, na zona norte, até a estação Santa Marina, na zona oeste — os trens funcionam de forma mais lenta. Quando for inaugurada, o usuário terá a mesma experiência, pois a operação inicial será em formato de teste, com horário reduzido e velocidade inferior. Neste início de operação, apenas as unidades João Paulo I e Freguesia do Ó, na zona norte, e Santa Marina, Água Branca, Sesc-Pompeia e Perdizes, na zona oeste, vão funcionar.
Durante a viagem feita pela reportagem, a linha operou com apenas um trem em cada sentido — algo que será vivenciado pelos passageiros após a inauguração. Por causa disso, é necessário aguardar o veículo realizar todo o itinerário para embarcar, ou seja, o intervalo entre os trens é de 19 minutos.
Funcionamento e tarifa
O trecho estará aberto de segunda a sexta-feira, das 10h às 15h. A linha ficará fechada aos fins de semana e em feriados. Nesta primeira etapa, somente o acesso principal de cada estação estará aberto. Durante o período de testes, o transporte será gratuito para quem circular apenas pelo ramal. Na Água Branca, será possível fazer baldeação com a Linha 7-Rubi, mas a conexão será paga. O passageiro terá de sair da estação de metrô e passar pelas catracas do trem, quando será cobrado R$ 5,40.
Layout interno diferenciado
Assim como na Linha 4-Amarela, os trens da Linha 6-Laranja são interconectados. É possível ir de uma ponta até a outra sem ter que passar por fora do vagão. A principal mudança visível é que os trens da nova linha mudaram o layout interno dos vagões para priorizar o espaço dos passageiros em pé. Só há bancos encostados nas paredes laterais — assim como o metrô de Londres (conhecido como Tube). Não há cadeiras em que o passageiro vá de frente ou de costas para o trem. Com isso, existem mais espaços para a circulação interna, inclusive para conseguir fugir da superlotação de passageiros que ficam próximos das portas. Como resultado, o acesso para o meio do vagão foi facilitado.
Prazo e inauguração antecipada
Quando estiver finalizada, a linha terá 15 estações, indo da Brasilândia, na zona norte, até a São Joaquim, no centro, em um tempo total estimado de 19 minutos. De ônibus, segundo o governo paulista, o trajeto dura aproximadamente 1 hora. A inauguração na próxima semana antecipa em quatro meses o prazo máximo para conclusão do trecho da Brasilândia até Perdizes. Pelo contrato, as oito paradas precisavam começar a funcionar somente em outubro, mas o governo e a concessionária Acciona negociaram a antecipação de seis delas.
A data de abertura do primeiro trecho coincide com o limite para políticos participarem de inaugurações de obras públicas. A restrição da lei eleitoral vale a partir de 4 de julho — três meses antes do 1.º turno, em outubro, quando o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) vai disputar a reeleição.
Próximas etapas
Em outubro, a malha ganha mais duas estações: Brasilândia e Itaberaba-Hospital Vila Penteado, na zona norte. A única que faltará na região é a Maristela, adiada para o próximo ano devido a dificuldades na escavação. O prazo para a conclusão do traçado é até outubro de 2027. Nesta etapa, será possível acessar as linhas 1-Azul (São Joaquim) e 4-Amarela (Higienópolis-Mackenzie). No futuro, também está prevista a baldeação com o Trem Intercidades São Paulo-Campinas.



