Um inglês de 65 anos está sendo obrigado a remover um pedaço do Muro de Berlim que instalou no seu jardim. Steven Thorpe recebeu uma carta no sábado (4) de um conselho de Londres afirmando que a instalação do fragmento é "inaceitável".
Detalhes da estrutura e da notificação
Com quase 4 metros de altura e cerca de duas toneladas, o bloco foi comprado por Thorpe de um agricultor na Alemanha e instalado no início deste ano. O problema: ele excede o limite máximo de 2 metros para muros e cercamentos, segundo as normas de planejamento urbano da cidade.
O inglês pretende recorrer da decisão. "Eles descreveram uma grande estrutura de concreto armado, em vez de um artefato ou escultura patrimonial", disse ao Daily Mail. E acrescentou: "Disseram que tem 3,6 metros, mas a altura instalada é de 3,1. Afirmam que está 60 cm acima do limite, mas, na verdade, são 97 cm. E não é um muro, é um artefato."
Argumentos do conselho e possíveis multas
A carta argumenta que o bloco causa "danos ao bem-estar da propriedade vizinha devido à sua escala desproporcional, sensação opressiva de confinamento e aparência industrial austera". Thorpe pode ser multado em até £ 20 mil (cerca de R$ 140 mil). Ele rebate: "Quase não é possível vê-lo por conta da cerca viva. Se eu tiver que movê-lo, vou mover."
Fragmentos do Muro de Berlim pelo mundo
Durante cerca de trinta anos, o Muro de Berlim permaneceu de pé, separando as áreas ocidentais e democráticas de Berlim das regiões orientais sob regime comunista. A divisão da cidade havia sido estabelecida pelos países Aliados após a Segunda Guerra Mundial. O muro acabou se tornando um dos principais símbolos da divisão imposta pela Guerra Fria, até ser derrubado em 1989.
Nos 32 anos que se seguiram ao desmantelamento do muro, pedaços de sua antes imponente estrutura de concreto se espalharam pelo mundo. Fragmentos da construção, que chegou a ter 5 metros de altura e 165 quilômetros de extensão, podem ser encontrados não apenas na Alemanha, mas também em dezenas de outros países, entre eles África do Sul, Austrália, Brasil, Cingapura, Estados Unidos, Japão, México, Qatar e Rússia, de acordo com o The Wall Net, projeto digital que monitora a presença do Muro de Berlim em diferentes partes do planeta.
Esses fragmentos são valorizados tanto por entusiastas da história quanto por admiradores da democracia. Alguns pedaços foram presenteados ou doados a museus e muitas pessoas também compraram pedaços do muro.



