GDF vai ocupar Centrad sem novos gastos, mas prédio tem infiltrações e marcas de tiro
GDF ocupará Centrad sem gastos extras; prédio tem infiltrações

O governo do Distrito Federal anunciou, na terça-feira (9), que vai ocupar o Centro Administrativo do Distrito Federal (CAD), o antigo Centrad, sem novos gastos. O complexo em Taguatinga está fechado há 12 anos, desde a "inauguração", e nunca foi usado efetivamente. O GDF disse ainda que apenas pequenos reparos serão feitos para que as secretarias possam ocupar a estrutura: pintura, impermeabilização, entre outros. A previsão de gasto é de R$ 1,8 milhão por bloco – são cinco.

A TV Globo visitou o CAD na manhã desta sexta-feira (12) e registrou infiltrações, rachaduras, elevadores sem funcionar e até marca de tiro na janela na sala reservada para ser o gabinete do chefe do Executivo. Por isso, a sala da governadora Celina Leão será em outro lugar. A Casa Militar está fazendo uma avaliação para decidir a melhor localização.

Deterioração

O complexo conta com 16 prédios em 182 mil metros quadrados de área. A Secretaria de Obras vai iniciar a mudança, seguido pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação, de Meio Ambiente, DF Legal, de Mobilidade, Casa Civil e o gabinete de Celina Leão. Segundo o GDF, o bloco L será o primeiro a ser ocupado. A mudança deve ocorrer em até 90 dias. No entanto, no local, há muitos pontos de infiltração nas paredes e no teto. Os prédios também apresentam rachaduras nas paredes próximo ao teto.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Economia em aluguel

De acordo com o GDF, são gastos cerca de R$ 168 milhões com aluguéis. Os seguintes valores serão economizados pelas secretarias que serão transferidas:

  • Secretaria de Obras: R$ 3 milhões por ano
  • Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação: R$ 5,5 milhões por ano
  • Secretaria de Mobilidade: R$ 3,2 milhões por ano
  • Secretaria do Meio Ambiente: R$ 3,1 milhões por ano
  • DF Legal: R$ 3,5 milhões por ano

Relembre a construção do Centrad

O Centrad foi construído por meio de uma Parceria Público Privada (PPP) entre o GDF e o consórcio privado formado pela Via Engenharia e Odebrecht, com valor previsto de R$ 6 bilhões e duração de 22 anos. Além de erguer o prédio, o consórcio ficaria responsável por serviços como manutenção, segurança, limpeza do espaço. Pelos serviços após a inauguração, as empresas receberiam R$ 17 milhões mensais. Como o projeto nunca foi inaugurado, esses valores nunca foram pagos. Por outro lado, as duas empresas alegam que gastaram cerca de R$ 1,5 bilhão na construção do Centrad e também tentam reaver o valor investido na negociação. Em 2020, contudo, uma decisão da 4ª Vara de Fazenda Pública do Distrito Federal proibiu o Governo do DF de repassar recursos ao consórcio. O GDF, no entanto, tem outros gastos com o complexo. Desde que a PPP foi anulada em 2022, é o governo do DF responsável pela segurança do local, que abandonado é alvo de invasão, vandalismo e depredação.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Linha do tempo sobre o Centrad:

  • 2009: Obras do Centrad têm início a partir de uma parceria público privada (PPP) entre o GDF e o consórcio privado formado pela Via Engenharia e Odebrecht.
  • 2014: O então governador Agnelo Queiroz faz a inauguração do espaço no último dia de seu mandato com as obras inacabadas.
  • 2015: Ministério Público (MPDFT) se manifesta contra ocupação do Centrad e não fornece Carta de Habite-se para o prédio.
  • 2015: Governador Rodrigo Rollemberg "desiste" de mudar Executivo para local devido às irregularidades.
  • 2017: Em delação no âmbito da Operação Lava Jato, ex-executivo da Odebrecht João Antônio Pacífico Ferreira revela que negociações do Centrad foram marcadas por "acordos de mercado" e repasses para caixa dois de campanhas eleitorais.
  • 2017: GDF instaura uma comissão para discutir a possibilidade de anular o contrato de PPP.
  • 2019: Ibaneis Rocha (MDB) assume e afirma que Centrad será ocupado "de um jeito ou de outro" ainda nos primeiros meses de sua gestão.
  • 2019: Ministério Público de Contas (MPC) pede para que Tribunal de Contas (TCDF) barre transferência para Centrad, alegando que mudança não teria vantagem econômica.
  • 2020: Em meio aos impasses do acordo de PPP, Justiça proíbe que o GDF faça qualquer repasse às empresas que construíram o Centrad.
  • 2022: O GDF consegue anulação do contrato com as empresas e PPP é desfeita.
  • 2024: Marcelo Galvão, assessor especial de Ibaneis Rocha, diz em entrevista ao Poder360 que obras para ocupação do Centrad serão iniciadas ainda em abril.
  • 2025: GDF anuncia que até abril o governo vai lançar as obras de ocupação do Centrad.
  • 2025: Em agosto, o então secretário de Obras Valter Casimiro disse em entrevista ao Correio de Manhã que obras para as vias do entorno do Centrad seriam iniciadas "nos próximos dias".
  • 2025: Ibaneis diz em entrevista ao Jornal de Brasília, no dia 29 de agosto, que um edital de concessão para ocupar o Centrad seria divulgado pela Terracap "nos próximos dias".
  • 2025: Questionado pelo g1 no dia 26 de setembro, quase um mês após a declaração de Ibaneis, a Terrapac informou que tais documentos para edital ainda estavam "em produção".